Pugilismo ainda tem forte apelo mundial

iG Minas Gerais | Daniel Hott/Daniel Ottoni |

Patrick Semansky/AP - 6.8.2012
Herói. No ano passado, o brasileiro Esquiva Falcão (dir.) conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Londres e ajudou a recolocar o boxe em evidência no Brasil
Apesar da maior popularidade do MMA (artes marciais mistas, na sigla em inglês) nos dias de hoje, o boxe continua forte em outros centros como Argentina, Europa e Estados Unidos. Segundo Breno Pontes, diretor de comunicação da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe), “as cifras entre o boxe e o MMA são abismáticas, e absolutamente incomparáveis” a favor do pugilismo. Para se constatar isso, basta ter como referência o pagamento do UFC de US$ 1 milhão a poucos atletas, enquanto boxeadores fazem mais de US$ 40 milhões em uma única luta.   Apesar de o Brasil não ter a desejada valorização quando o assunto é boxe, o mesmo não se pode dizer de outras partes do planeta, onde a televisão ajuda a engrandecer a modalidade. Os valores tradicionais ajudam a preservar o esporte, presente desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos. “O MMA se tornou algo imenso no Brasil porque o país é um produtor de atletas da modalidade. O boxe brasileiro carece de um ídolo televisivo desde Popó. Então uma coisa levou à outra, e o MMA cresceu muito exatamente onde se produzem heróis do esporte. No caso, o Brasil. Mas o UFC não gera um décimo do dinheiro que o boxe gera, não tem pay-per-view que faça sombra ao do boxe nos Estados Unidos. Na Europa, onde o tradicionalismo impera, o MMA é ainda uma modalidade insignificante”, comenta Pontes, que destaca o papel da entidade nacional, focada somente no boxe olímpico. “A CBBoxe toma conta do boxe olímpico, que é diferente do profissional. Essa rivalidade do UFC com o boxe é algo que faz parte do imaginário das pessoas, já que a tendência é acreditar que o boxe foi substituído pelo UFC quando, na verdade, os dois poderiam muito bem coexistirem. Para isso, o boxe profissional no Brasil precisa produzir atletas vitoriosos e dignos de chamarem a atenção de televisões”, destaca o diretor. Medalhista. Mesmo com o crescimento do MMA, o boxeador Esquiva Falcão, medalha de prata nas Olimpíadas de Londres, no ano passado, acredita que o esporte que escolheu ainda sobressai às artes marciais mistas. “No momento, não vejo o boxe perdendo espaço para o MMA. Além de mim como um boxeador, tenho parceiros que estão crescendo e buscando cada vez mais também, todos com vontade e sede no boxe”, relata. O diretor de comunicação da CBBoxe deixa claro que o sucesso do UFC não interfere em nada no boxe olímpico brasileiro, que continua formando atletas de qualidade, com uma estrutura de acordo com suas ambições. “O Brasil foi campeão pan-americano pela primeira vez há pouco tempo. Foi a primeira equipe a deixar Cuba pra trás em décadas. Temos três medalhas olímpicas. O que não falta no Brasil são bons boxeadores. A diferença é que eles não são profissionais com lutas televisionadas. Mas um atleta da seleção brasileira de boxe tem um estrutura de trabalho melhor do que qualquer lutador de MMA”, garante Pontes. Encontro de gerações. De longe, o ex-pugilista mineiro Fued Mattar acompanhou, no ano passado, o crescimento de três brasileiros no cenário internacional. Os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres e voltaram a projetar o esporte em território nacional. Junto deles, a pugilista Adriana Araújo também se destacou, conquistando um bronze. “Nunca os conheci, mas reconheço o trabalho deles. Passar dificuldade é uma realidade do esportista brasileiro, e sei que eles tiveram que superar isso. Os tempos são outros, mas o sacrifício é parecido com o que vivi”, afirma. “O reconhecimento só vem quando a vitória acontece”, completa Fued. O ex-pugilista cobra mais incentivos para aos boxeadores e também a atletas de outras modalidades. Para Fued, é preciso mais apoio por parte do governo e também da iniciativa privada. “Um atleta precisa ficar por conta do esporte se quiser ser grande, ter resultados. Para isso, é preciso ter apoio. Sem patrocínio, ninguém vai longe”, completa. 

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