Coitado de quem depende da tecnologia!

iG Minas Gerais |

"Quem avisa, amigo é." Tenho acompanhado com interesse um debate sobre o futuro do planeta. E é impressionante como duas tendências extremamente opostas vão se posicionando com argumentos e fatos muito bem articulados. De um lado os entusiastas da tecnologia, da robótica, da nanotecnologia; de outro os cientistas, que preveem falta de água, guerras e caos, projetando um desaquecimento apocalíptico, ou guerras tribais onde distintas religiões, cor de pele, diferenças sócio-econômicas, nacionalidades ou disputas regionais e étnicas desencadearão cenário que inviabilizaria um mundo global, interdependente, tal qual vemos hoje. Bem como projetam o desaparecimento dessa interconexão que a internet permitiu com suas vantagens e desvantagens. Economistas de ponta são pessimistas e acham que uma falência global da economia em que cada vez mais as dívidas dos países e dos indivíduos cresce e " bolhas", seja imobiliária ou da bolsa de valores, levarão a dramáticas perdas que explodirão, causando um impacto de revolta jamais visto, pois nunca a ausência de lideranças foi tão grave, bem como a corrupção anda se alastrando feito a " peste negra" e não poupa nem a democracia do estilo EUA até regimes fechadíssimos como o da China e só vai piorando nos países menos desenvolvidos. A podridão impera nos porões dos palácios e congressos. Mas o que eu, particularmente, mais me identifico são com os futurólogos que preveem o fim dos tempos num grande apagão da internet e/ou blackout elétrico, seja por ciberterrorismo ou catástrofes como modificações de eletromagnetismo da Terra, violentas tempestades solares ou outro evento similar. Digo isso pois me chama atenção, nas minhas leituras, a indescritível dependência da humanidade com poder aquisitivo, dos aparelhos eletrônicos, em especial aos celulares, que se tornam cada vez mais um multimeio completo, fantástico, viciante, que nos roubou tudo: tempo, afetividade, serenidade, relacionamentos "reais", contato com a natureza, conversas divertidas em casa, no trabalho, nos barzinhos e restaurantes, na porta de casa, no colégio. E nos trouxe a rapidez, o estresse, o mundo na palma das mãos, o conforto, a conexão com o infinito de informações sempre disponíveis e que nos adoece a alma. Nunca houve tantos suicídios, quadros de depressão, fobias, pânico. Nunca a autoestima das pessoas foi tão baixa, pois o photoshop traz padrões de beleza e exigência que beiram a loucura (20% dos coreanos fez cirurgia plástica para facilitar a obtenção de emprego). Casamentos ou relacionamentos em geral estão cada vez mais breves e descartáveis, pois trair, cobiçar outros é uma questão de teclar aplicativos, sites e uma sensação de insatisfação, insegurança, ciúmes doentios tem sido preocupantemente relatados por homens, mulheres, jovens, adolescentes, idosos. A sensação constante de que quanto mais nos atualizamos, mais desatualizados estamos, ou quanto mais desejamos, menos nos sentimos saciados, é generalizada. Tudo muito: comida, sexo, cerveja, bens, paqueras, drogas. Nada é suficiente! E no mundo internáutico, radicalização é o que não falta: neonazistas, punks, taras incontáveis, tráfico de tudo, games viciantes e violentos, torcida marcando briga, prostituição a rodo, aprender a fazer bombas, grupos religiosos radicais. E espalhar sexo com ex de forma viral? E fofocas graves nas redes sociais? Realmente perdemos o rumo! Estudos mostram que nos países árabes, no leste europeu e no Brasil estão os mais perigosos do mundo. E se centenas deles somassem suas habilidades e fizessem um ataque aos principais fornecedores de eletricidade no mundo, teríamos uma apagão que em dias desorganizariam as frágeis instituições que hoje regem a organização sócio-político-econômica. E dá-lhe quebra-quebra. Quem quiser que guarde esta coluna. Pois eu, honestamente não nasci para habitar um mundo onde robôs ou seres ciborgues nos antecipava. Tudo isso me apavora. Aos meus filhos e aos filhos de todos da geração anos 60, 70 e80, um alerta: como sobreviver a mundo sem eletricidade e internet? Estão preparados para um recomeço como caçadores e coletores? Pois grandes e médias cidades serão um caos...

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