Levando o trabalho para casa

Nem nas férias e fins de semana, o e-mail profissional deixa de ser acessado

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Douglas Magno FOTO: Douglas Magn
Conectada. Luciana Azevedo mudou quando criou a própria empresa, passando a trabalhar mesmo nos momentos de folga e lazer
Para muitas pessoas, o expediente de trabalho não termina quando ela chega em casa, na folga ou mesmo quando está de férias. Esse tipo de comportamento fez com que o brasileiro ocupasse o segundo lugar no ranking dos chamados “blurring”: os profissionais que misturam o trabalho com a vida pessoal.   Pesquisa da Pullman – Ipsos Survey, feita com mais de 2.000 entrevistados em sete países, mostrou que a China está no topo da lista, seguida por brasileiros, franceses e por alemães. Levantamento do TripAdvisor revela que, durante as férias, boa parte dos profissionais brasileiros não consegue se desligar totalmente do trabalho. Conforme o levantamento, quase 75% dos entrevistados admitem que checam o e-mail profissional mesmo quando estão longe do escritório. A diretora da Ipsos Marketing Célia Silva aponta o acesso às tecnologias como o principal responsável pelo “blurring”. “De fato os novos ‘brinquedos’ dos executivos modernos vieram para ficar e mudaram a organização do trabalho e a vida moderna dentro do novo contexto global que vivemos. E de uma forma positiva”, diz. A empresária Luciana Azevedo é uma das pessoas que se encaixam no perfil da pesquisa da Pullman. “Meu trabalho é prioridade e isso já prejudicou a minha vida social”, diz. Ela conta que nem sempre foi assim. “Minha postura mudou quando eu me tornei empresária. Afinal, a empresa depende de mim. Quando eu era funcionária, o trabalho ficava no trabalho. Hoje, vejo e-mails profissionais aos fins de semana e tenho um único celular, que serve para tratar questões pessoais e profissionais”, observa. Para a empresária, dona da empresa de pasta artesanal Il Canto, a dedicação ao trabalho não é um sacrifício. “Faço o que eu amo”. Em outro ramo, o da comunicação, mas também movida pela paixão, está a empresária Flávia Presoti. “Eu tento me policiar, mas é o meu perfil. Eu também faço várias coisas ao mesmo tempo”, observa. Ela conta que descansar na cidade é praticamente impossível. “Eu não consigo me desligar. Trabalho além do horário comercial, checo e-mails de trabalho aos domingos. Nas férias, a estratégia é viajar para fora”, ressalta. O músico integrante do duo 7 Estrelo Bruno Tonelli diz que, em quase 15 anos de carreira, poucas vezes conseguiu tirar uma semana para não pensar no trabalho. “Às vezes vou para lugares em que não conheço muitas pessoas, mas mesmo assim encontro ou conheço alguém que decide abrir uma roda de violão, ou alguém começa a tocar e não consigo conter a vontade, mesmo quando não levo meu instrumento para poder descansar”. Para ele, a vantagem da dedicação é o aprimoramento da técnica. Entretanto, há o lado negativo, que são as dores físicas que aparecem devido ao longo período tocando instrumentos, ou em performances muito energéticas. Computador e celular vão até a praia Em torno de 85% dos chineses e 74% dos brasileiros levam seus computadores, smartphones e tablets durante as férias ou fins de semana, contra 47% dos britânicos, segundo estudo do instituto Ipsos. O levantamento mostrou que 83% dos brasileiros pensam que o “blurring”, essa mistura entre pessoal e profissional, facilita sua carreira profissional – opinião compartilhada, em média, por 70%, dos 2.252 entrevistados de sete países (França, Alemanha, Reino Unido, Brasil, Estados Unidos, Austrália, China).  

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