Chegada da hora da colheita

Aos 53 anos, ator acumula uma sequência de trabalhos na TV e se prepara para voltar aos palcos em um musical

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Pedro Paulo Figueiredo/CZN
Holofotes. Após um período de ostracismo na TV, Felipe Camargo voltou a chamar atenção por suas atuações
O semblante confiante e o sorriso com que Felipe Camargo fala de trabalho entregam o bom momento pelo qual ele passa na carreira. Passado os anos de exageros e polêmicas, o ator sabe da importância de estar sempre pronto para qualquer personagem. E enxerga no dúbio Perácio, de “Sangue Bom”, um elo entre sua volta ao posto de protagonista, em “Som & Fúria”, de 2009, e a manutenção de sua relação com a TV. “O Perácio é um personagem que me leva ao passado e ao futuro. Contraceno com a Malu (Mader) e sou dirigido pelo Dennis (Carvalho), assim como foi na minha primeira experiência na TV. Da mesma forma que é um tipo tão atual, com questionamentos, defeitos e virtudes extremamente humanas”, analisa, relembrando os bastidores de “Anos Dourados”, série exibida pela Globo em 1986. Aos 53 anos, o ator carioca se mostra cada vez mais produtivo. Só nos últimos quatro anos, esteve em “Tempos Modernos”, “Cordel Encantado” e “Amor Eterno Amor”. “Reconquistar esse espaço foi uma surpresa. Mas é claro que a minha dedicação em fazer as coisas da melhor forma possível conta muito na hora de alguém me escalar para trabalhos futuros”, ressalta o ator. Próximo do fim de “Sangue Bom”, Felipe aguarda o lançamento de “Boa Sorte”, longa de Jorge Furtado. E se prepara para encarnar o músico e compositor Ronaldo Boscôli no teatro em “Elis, A Musical”. “Se depender de mim, essa fase boa ainda vai durar por muito tempo”, avisa. Em “Sangue Bom”, você volta a contracenar com Malu Mader, sua parceira em “Anos Dourados”. Para completar, ambas as produções têm Dennis Carvalho como diretor. Como encarou esse reencontro?  Foi tudo muito bem arquitetado pelo Dennis, que me reservou assim que eu terminei de gravar “Amor Eterno Amor”. O público não sabe, mas ficou uma amizade muito forte entre o elenco que fez “Anos Dourados”. Cada um seguiu seu caminho, é claro, mas os laços permaneceram. Então, encontrar a Malu e fazer novamente par romântico com ela foi muito bacana e teve seu ar de nostalgia. Ao mesmo tempo em que a gente percebeu o quanto a maturidade fez bem para a nossa atuação (risos). Como assim?  Passamos por diversas fases da carreira. Eu vivi alguns dissabores de forma mais intensa, mas todo mundo tem seus momentos de altos e baixos. Isso faz com que a gente cresça não só como ser humano, mas como intérpretes também. Em “Sangue Bom”, a dramaticidade do nosso núcleo exigia bastante concentração e versatilidade. O Perácio e a Rosemere tinham uma história confusa e mal-resolvida. E ele ainda carregava seus próprios demônios. “Sangue Bom” é sua quarta novela consecutiva depois de voltar à TV como destaque da série “Som & Fúria”. Você sente que foi redescoberto pelos diretores e produtores de elenco da Globo? Acho que a série foi importante para criar uma nova relação minha com a TV. Eu fazia muitas outras coisas fora do vídeo, mas a repercussão era restrita. Depois de “Som & Fúria”, trabalhei em núcleos diferentes dentro da emissora, reconstruí e criei novos contatos. É o tipo de trabalho que dá vigor à vida de um ator. E depois dele, vieram personagens muito instigantes também, como em “Cordel Encantado” e agora em “Sangue Bom”. Outro trabalho que tenho muito orgulho foi “Xingu”, feito para o cinema, mas que virou microssérie no fim do ano passado. O trabalho no filme foi uma experiência muito marcante. Por quê?  Pela temática, pelo ritmo de gravação e convivência com os índios no meio da mata. Foi representativo demais dentro da minha carreira. Aos 53 anos, estou tendo muitos convites especiais de trabalho e vivendo coisas novas a todo momento.

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