Espionagem ameaça prejudicar política externa dos EUA

Táticas da Agência Nacional de Segurança, denunciadas pelo ex-funcionário terceirizado Edward Snowden, incluíam a escuta de telefones celulares de 35 líderes mundiais

iG Minas Gerais | Da redação |

Associated Press
President Barack Obama pauses after answering questions from members of the media during his meeting with Baltic leaders in the Cabinet Room of the White House in Washington, Friday, Aug. 30, 2013. Speaking about Syria, the president said he hasn't made a final decision about a military strike against Syria. But he says he's considering a limited and narrow action in response to a chemical weapons attack that he says Syria's government carried out last week. (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)
O secretário de Estado norte-americano John Kerry chega a Roma e Paris para discutir questões relacionadas ao Oriente Médio, mas a indignação com as atividades de espionagem dos Estados Unidos no exterior altera a pauta das conversas do chefe da diplomacia. O presidente Barack Obama tem defendido as ações de vigilância contra líderes da Rússia, México, Brasil, França e Alemanha.  Documentos secretos divulgados pelo ex-funcionário terceirizado da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden sobre as táticas da organização - que supostamente incluíam a escuta de telefones celulares de 35 líderes mundiais - ameaçam prejudicar a política externa norte-americana em várias áreas.  No sábado, em Washington, manifestantes ergueram cartazes nos quais se lia "Obrigada, Edward Snowden!" durante passeata nas proximidades do Capitólio. O objetivo da manifestação foi exigir que o Congresso investigue os programas de vigilância da NSA.  "A magnitude das escutas telefônicas foi o que nos chocou", disse o ex-ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, em entrevista a uma rádio. "Sejamos honestos, também fazemos escutas. Todos estão escutando os demais. Mas não temos os mesmos meios dos Estados Unidos, o que nos deixa com inveja." As relações diplomáticas são construídas com base na confiança. Se a credibilidade dos norte-americana está em questão, os Estados Unidos poderão ter dificuldades para manter alianças, influenciar a opinião mundial e selar tratados comerciais.  As informações sobre as ações da NSA podem conferir poder aos europeus nas negociações com os Estados Unidos sobre um acordo de livre-comércio, que deve reunir metade da economia mundial. "Se formos para as negociações e sentirmos que as pessoas com as quais estamos negociando sabem tudo o que queremos negociar antecipadamente, como podemos confiar uns nos outros?", questionou Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu.  Para Henry Farrell e Martha Finnemore, da George Washington University, os danos causados pela divulgação das atividades da NSA podem "prejudicar a capacidade de Washington de agir de forma hipócrita sem sofrer as consequências disso". Em artigo para a revista Foreign Affairs, a dupla disse que as revelações forçaram Washington a abandonar sua "campanha de acusação contra as atividades de invasão de computadores da China" A resposta de Washington à indignação em relação à espionagem tem sido a de que o país reúne o mesmo tipo de informações de inteligência externa que é recolhido por todos os países e que é necessário proteger os Estados Unidos e seus aliados de ameaças de segurança Agência Estado

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