Esporte mais popular e amado do planeta faz aniversário neste sábado

Ele une classes sociais, etnias, interrompe guerras e faz milagres: parabéns, futebol!

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI* |

O esporte mais popular e amado do mundo faz 150 anos neste sábado. O futebol consegue fazer verdadeiros milagres. Além de unir diferentes classes sociais e etnias, o esporte já interrompeu guerras e em várias ocasiões se mistura com política, economia e várias questões sociais. O futebol é social. Naquela famosa reunião na Freemasons Tavern, em 26 de outubro de 1863, na capital inglesa, Londres, o mundo foi transformado. O objetivo dos 12 times presentes era apenas criar uma entidade, a Football Association, que englobaria os clubes que pretendiam jogar a versão do futebol baseada nas regras de Cambridge. No entanto, a reunião não apenas codificou o esporte. Ela foi, também, um começo importantíssimo para algo que mudou o mundo. Sim, e a afirmação não é nenhum exagero. Na Europa, principalmente na Inglaterra, existia - ainda existe, mas em escala menor - uma distinção clara entre as classes sociais em todos os lugares. O preconceito era enorme e determinadas pessoas de certas classes não podiam frequentar alguns lugares. O futebol, que nasceu como um esporte aristocrático, carregou um pouco disso no começo de sua história. No entanto, a partir da metade do século XIX, com a popularização do esporte, ele se expandiu para as classes trabalhadoras e as massas populares. Vários clubes europeus, inclusive, foram criados por trabalhadores, principalmente na Inglaterra e Alemanha - West Ham, West Bromwich Albion, Millwall, Schalke 04, Wolfsburg e Carl Zeiss Jena são alguns dos vários exemplos. E essa popularização fez com o futebol fosse vital numa queda considerável desta distinção de classes. Operários, estudantes, cavaleiros, personalidades, todos estavam juntos, seja no campo, seja nas arquibancadas. Todos unidos por um motivo: a paixão pelo futebol. O esporte também contribuiu para a inserção do negro na sociedade brasileira. Infelizmente, o racismo ainda existe na sociedade mundial, apesar de todas as campanhas existentes. Nesta quarta-feira, por exemplo, torcedores do CSKA Moscou fizeram uma manifestação lamentável nas arquibancadas, imitando sons de macacos para provocar o volante Yaya Touré, marfinense do Manchester City, em partida válida pela Liga dos Campeões da Europa. Outros vários casos manifestações racistas já ocorreram no futebol, no entanto, o esporte também contribuiu, e continua contribuindo, para o fim deste ato lamentável. No Brasil, apesar de todo o preconceito e ter sofrido com isso, o primeiro grande ídolo no futebol foi negro: Leônidas da Silva. O maior jogador da história do esporte, é negro: Pelé. O futebol também se confunde com política e economia. Um grande exemplo está na Europa, mais precisamente, nos Bálcãs. Nos anos 90, na Guerra da Iugoslávia, o Dinamo Zagreb, da separatista Croácia, enfrentou o Estrela Vermelha, da Sérvia, num grande clássico antes do início do conflito. E o que foi visto dentro de campo e nas arquibancadas foi um aviso do que aconteceria a seguir. O estádio parecia um verdadeiro caldeirão nacionalista e uma briga, das mais terríveis da história do futebol, foi vista. A partida ficou marcada como o "jogo que começou uma guerra". No conflito, inclusive, torcedores organizados do Estrela Vermelha reforçaram o exército sérvio contra os movimentos separatistas. Até hoje e para sempre, os clássicos entre as seleções e os times de Sérvia e Croácia serão marcados por essa rivalidade que transcende as quatro linhas. No entanto, o futebol também marcou as primeiras grandes alegrias das nações após a guerra. Uma década depois da independência, Croácia e Eslovênia comemoraram classificações à Copa do Mundo. O mesmo fato causou uma festa incrível na Bósnia neste mês de outubro, com a primeira classificação da história do país ao Mundial. A Bósnia, que chegou a ter três ligas nacionais por causa da segregação étnica e foi destruída na década de 90, celebrou como nunca a classificação. Afinal, além de ser o maior momento esportivo da história do país, a vinda ao Brasil em 2014 representa uma união finalmente conquistada. União esta, que foi muito bem vista por todos pelas ruas da Bósnia no dia da histórica classificação. Outros exemplos são o Barcelona, cuja torcida sempre utilizou o Camp Nou como palco de manifestações nacionalistas para pedir a separação da Catalunha. Durante a ditadura de Franco, o estádio dos Blaugranas era o único lugar onde os catalães tinham liberdade para se manifestar, o que sempre ocorria e fez o Barça e o Camp Nou se tornarem um símbolo do orgulho catalão. O mesmo acontece com o Athletic Bilbao. O time, que tomou a postura de exaltar o País Basco tendo em seu elenco apenas jogadores nascidos na região ou descendentes, alimenta o nacionalismo do local. Em outros países, os rivais inclusive se uniram em lutas por um objetivo em comum. Na Turquia, as fanáticas torcidas de Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas, sempre envolvidas em conflitos, se uniram contra a destruição de um parque. No Egito, as torcidas de Al Ahly e Zamalek se uniram na Primavera Árabe, sendo que a torcida do Al Ahly ainda tem confrontado, até fisicamente, o poder do país. Entre vários outros casos, existe ainda o Santos, que com suas excursões e a presença de Pelé, parou guerras no continente africano na década de 60. São vários os exemplos que mostram e comprovam a importância do futebol na sociedade não apenas como um esporte, mas como algo muito maior. Em 150 anos, o futebol sempre esteve presente, às vezes como protagonista, em transformações significativas, ajudando a mudar e a melhorar o mundo em que vivemos. Parabéns, futebol, e muito obrigado por tudo.   *Com supervisão de Leandro Cabido  

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