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iG Minas Gerais | Da redação |

NELSON BRASIL RODRIGUES 100 ANOS DO ANJO PORNOGRAFICO/DIVULGACAO
Mostra é um recorte da extensa e variada obra do mais polêmico dramaturgo brasileiro
Todas as noites, quando terminava de jantar, Nelson Rodrigues se isolava em uma sala escura e colocava uma vitrola para tocar. Imerso no timbre de Cauby Peixoto ou nos tons épicos das óperas, o dramaturgo só se levantava para mudar o lado do disco e de lá, partia para escrever suas peças. Quem visitar “Nelson Brasil Rodrigues – 100 Anos do Anjo Pornográfico”, em cartaz na Funarte MG até 20 de dezembro, poderá ter um contato com a música que inspirava o dramaturgo – através de som ambiente da galeria – e outras curiosidades.   Idealizada pelo seu filho, Nelsinho Rodrigues, e pela neta, Crica, a exposição caminha pelas imagens de arquivo e matérias de jornais que contam um pouco da história de cada uma das estreias de suas 17 peças teatrais. “Foi uma pesquisa rica, feita no acervo da Funarte e com a ajuda de quem conheceu o velho”, diz Nelsinho, na forma como se refere ao pai. “É lindo ver o público se emocionar e se encantar”.   A exposição é parte das comemorações do centenário do dramaturgo que, ao longo da vida, se referiria a si próprio como “o menino que vê o amor pelo buraco da fechadura”. O autor ficaria conhecido por confrontar o modelo tradicional da família e as indecências da vida privada. “O velho nunca se absteve de dar opinião, mas grande parte dos que o conheciam, logo se identificavam com sua genialidade ou seu jeito afável”.   Dentre as atrações, o áudio de uma entrevista concedida pelo autor à Fernanda Montenegro, em 1974, disponibilizado em fones. Sua máquina de escrever e uma roupa de seu uso do cotidiano também ficarão expostos ao público, além de alguns documentos.   Polêmica O nome da exposição foi baseado em um trecho escrito por Nelson para a revista “Manchete” em 1966 na qual se auto-denominava “anjo pornográfico”.   A expressão se tornaria famosa ao dar título à biografia do jornalista Ruy Castro, um dos principais opositores do grupo “Procure Saber” que quer restringir a publicação de histórias alegando o direito à privacidade.   A obra foi autorizada pela família de Nelson. “Meu pai foi um dos caras mais censurados no Brasil. Ele seria absolutamente a favor. Ninguém conheceria nenhum gênio da história não fosse o trabalho documental e a dele é uma história linda, de sofrimento e de dor”, diz Nelsinho.   Para o filho, como toda a biografia, erros de interpretação foram cometidos. “Mas é porque nenhuma exposição nem biografia conseguirá definir o velho. Nelson é irresumível”.   Nelson Brasil Rodrigues – 100 Anos do Anjo Pornográfico Funarte MG (r. Januária, 68, Floresta, 3213-3084). De segunda à sexta, das 10h às 18h. Entrada franca. Até 20 de dezembro.

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