Inhotim repagina espaços

Galerias Mata, Praça, Lago e Fonte, que abrigam mostras temporárias, expõem novas obras; é a segunda grande mudança em sete anos

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara (*) |

MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Obra de Luiz Zerbini na Galeria Praça produz efeito ótico que convida à contemplação
Conhecidas desde 2006, quando o Instituto de Arte Contemporânea Inhotim foi aberto para livre visitação, em Brumadinho, as galerias Mata, Praça, Lago e Fonte, que abrigam mostras temporárias, expõem novas obras. Pertencentes ao acervo do centro, parte das criações a serem vistas são deste ano, como as pinturas do paulista Luiz Zerbini levadas à galeria da Praça. É também recente a instalação “Imóvel/Instável” (2011), de Marcius Galan, que agora figura na entrada do mesmo espaço.   De acordo com a curadora Júlia Rebouças, essa é a segunda grande mudança do acervo que ocorre nessas galerias desde a abertura do centro, há sete anos. Mas nem todos os ambientes expositivos foram completamente repaginados. A única que teve o seu conteúdo integralmente redesenhado foi a galeria Fonte, que acolhe trabalhos centrados no gênero da natureza morta.   “Esse é um tema bastante caro à história da arte em vários momentos. Aqui, nós encontramos criações que atravessam esse universo, como os objetos de Alexandre Cunha. Ele tem um tipo de olhar muito marcado pelo humor. Materiais de uso cotidiano, como um rodo, ganham outra função, e algo que originalmente é maleável aparenta ter uma forma rígida. Por outro lado, aquilo que é conhecido como um produto firme se revela frágil. Ele brinca com essas noções”, explica Júlia.   Fotografias   Ainda para essa galeria foram selecionadas obras de vasta importância no cenário da arte contemporânea em dimensão nacional e internacional. É o caso, por exemplo, da série de fotografias “Fotoformas”, de Geraldo de Barros (1923-1998). Produzidas na década de 50, segundo Rebouças, tais fotos depois serviram de referência para muitos nomes que se alinharam ao concretismo e ao neoconcretismo no país.   “É também bastante significativa a coleção de desenhos de Geraldo de Barros, que ele compôs antes de realizar algumas de suas esculturas. Nesses esboços, nós reconhecemos o estudo empregado por ele, buscando já ali no espaço bidimensional saídas que pudessem fazer com que aquelas formas saíssem do papel”, acrescenta a curadora.   Somam-se a esses dois artistas, outros 12, Damián Ortega, Gabriel Orozco, Hitoshi Nomura, Jiro Takamatsu, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, Jorge Macchi, Mauro Restiffe, Robert Morris, Rivane Neuenschwander, Sara Ramo e Tacita Dean, representados naquele ambiente.   Nesse, a fotografia ganha destaque também com as séries de Nomura, Rivane e Sara, que tem um vídeo também na galeria Lago. Enquanto o primeiro aborda a questão do tempo ao fotografar o desaparecimento de escultura feita de papelão, a mineira Rivane coleciona imagens de pequenas esculturas informais produzidas durante encontros ao redor de mesas de bares e restaurantes, e Ramo mostra dípticos de curiosas cenas de banheiros.    Referências Já em Mata, o venezuelano Juan Araujo apresenta uma mostra inédita, criada à convite do próprio Inhotim. Nela, o artista, que se dedica à pesquisas nas áreas de pintura e arquitetura, reúne obras inspiradas em sua recente visita a Minas Gerais.   “Eu estou trabalhando nesse projeto há um ano e escolhi como referências para minhas pinturas uma das obras de Inhotim (“Invenção da Cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe”), de Hélio Oiticica, a arquitetura modernista da Pampulha, além do barroco mineiro”, diz Juan Araujo.    Por fim, em Lago, o visitante terá contato com a escultura “A Cabra” e a colagem “Olê, O Picolé”, ambas de Marepe, que refletem a profunda relação do baiano com a cultura local. “Ele nunca saiu de Santo Antônio de Jesus, uma pequena cidade onde vive. No Nordeste, dizem que quando nenhum animal mais aguenta a seca, a cabra é uma das poucas que sobrevive. Esse trabalho é também uma metáfora para a própria resistência”, diz Júlia.   *Especial para o Jornal Pampulha   Inhotim Inhotim (r. B, 20, Brumadinho, 3571- 9700). Terças, quartas, quintas e sextas, das 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. Às terças, com exceção de feriado, entrada gratuita. R$ 20 (quarta e quinta) e R$ 28 (sexta, sábado, domingo e feriados).  

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave