Pelos animais

Em primeiro lugar, quero dizer que não sou contra o teste em animais, desde que seja em prol da descoberta de novos medicamentos essenciais para a melhoria da saúde não só humana, mas também animal

iG Minas Gerais |

Na semana passada escrevi aqui sobre a minha paixão por cachorros. Como contei, tenho vontade de pegar qualquer um que vejo abandonado na rua e levá-lo pra casa e, se eu pudesse, teria centenas deles! Por isso mesmo, qualquer notícia que escuto sobre cães sofrendo me deixa arrasada, desejando poder ser uma espécie de justiceira canina, uma “super-mulher” e sair salvando todos os cachorros do mundo. Dessa forma, não tive como não me sensibilizar (e muito) com a história dos beagles do Instituto Royal. Caso você tenha viajado e ficado por fora do assunto, vou explicar: Dezenas de ativistas invadiram na semana passada o laboratório do Instituto Royal, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), financiada pelo dinheiro público, que recebe apoio de agências de fomento à pesquisa científica, localizada em São Roque, no interior de São Paulo. Esses ativistas que atuam em defesa dos direitos dos animais resgataram cerca de 200 cães da raça beagle que eram usados como cobaias pela instituição. Os ativistas acusaram a organização de causar maus-tratos aos animais durante testes especialmente de cosméticos. Segundo eles, durante muitos meses observaram o local, onde ouviram e viram sinais de que isso acontecia, além de terem recebido denúncias de funcionários do próprio Instituto. Em primeiro lugar, quero dizer que não sou contra o teste em animais, desde que seja em prol da descoberta de novos medicamentos essenciais para a melhoria da saúde não só humana, mas também animal. E desde que esses testes sejam feitos sem sofrimento para os animais. Pelo que pesquisei e vi nas fotos e vídeos, não era esse o caso, pois os animais encontrados dentro do local estavam em estado deplorável, alguns sem partes do corpo, outros com muita secreção nos olhos e também alguns sem pelos. Porém, o Instituto Royal negou qualquer irregularidade, alegando que os animais não sofrem maus-tratos e que a empresa segue os padrões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. E é esse o ponto que eu quero tratar aqui. Que padrões são esses que permitem que 200 cães convivam em um local fechado, sem limpeza apropriada (basta procurar as fotos na internet que a gente vê), e visivelmente amedrontados, com medo de luz forte? Acredito que o Instituto esteja dentro da lei, mas o que acho é que essa lei tem que ser reavaliada e não por qualquer pessoa, mas por alguém que seja sensível à causa animal. Veja bem, já escutei pessoas falando que “animal tem mesmo é que sofrer”. E se for uma dessas pessoas que estiver por trás dos parâmetros impostos para o funcionamento das empresas que fazem teste com animais? Para elas tanto faz testar em um cachorro, em um rato, em um macaco, e não importa se eles estejam ou não anestesiados. Gostaria que essas normas fossem de conhecimento público e que as pessoas pudessem votar se elas são realmente válidas ou não. Isso se os testes forem para a fabricação de novos medicamentos e não de cosméticos. Porque, nesse caso, acho que deveríamos seguir o exemplo da União Europeia, que desde março deste ano proibiu totalmente a comercialização de cosméticos cuja fabricação tenha sido testada em animais. Acho que para começar, cada pessoa tem que fazer a sua parte, boicotando o uso de produtos testados assim. A Anvisa deveria criar um selo indicativo, dizendo qual foi produzido ou não com essa prática, mas enquanto isso não acontece, basta procurar na internet, vários sites disponibilizam a lista de empresas que fabricam produtos testados em animais. Se deixarmos de usá-los, essas empresas terão o seu lucro reduzido e terão que mudar seus métodos. Acho que independente de ser certo ou não, a invasão ao Instituto Royal mostrou que as pessoas estão mais conscientes de que os animais têm sentimentos e devem ser valorizados. Espero que cada vez mais manifestações assim aconteçam, para que, no futuro, eles possam ser tratados como realmente merecem. Com respeito e carinho. Assim como qualquer ser vivo.

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