Antigo asilo dos EUA é atração para contatos paranormais

Por R$ 220, visitantes podem passar a noite no local e fazer contato com o mundo espiritual; hospital psiquiátrico renasceu inspirado por filmes como ‘Atividade Paranormal’

iG Minas Gerais | John Searles
The New York Times
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Jeff Swensen / NYTNS
O Hospital Psiquiátrico de Weston foi construído entre 1858 e 1881, para acomodar 250 pacientes
Nova York, EUA. Eu costumava acreditar que todo mundo tinha uma história de fantasmas para contar. Após ouvir por anos as das amigas da minha mãe, acabei escutando barulhos suspeitos no meio da noite no Asilo de Lunáticos Trans-Allegheny, em Weston, no Estado norte-americano de West Virginia. Há quem diga que o edifício é um centro de atividades paranormais. Construído entre 1858 e 1881 para acomodar 250 pacientes, ele chegou a abrigar 10 vezes mais pessoas nos anos 50. Muitos haviam sido agredidos por pacientes violentos e alguns chegaram a morrer. O lugar fechou em 1994, mas o Hospital Psiquiátrico de Weston, como era conhecido, renasceu. Inspirado por filmes como “Atividade Paranormal”, há seis anos o asilo passou a oferecer visitas públicas cada vez mais frequentes. Por US$ 100 (R$ 220), os visitantes podem passar a noite no local, são divididos em grupos com guias para caminhar pelos quatro andares e pelas alas do asilo, tentando fazer contato com o mundo espiritual. Quando a noite caiu, eu e meu namorado Thomas nos encontramos com nossos guias. Eles nos mostraram uma série de ferramentas, como medidores de frequências eletromagnéticas, sensores de movimento e um aparelho conhecido como caixa de espíritos, que parecia registrar muita eletricidade estática e algumas vozes vindas da estação de rádio que fica nas redondezas. Alguns tinham aplicativos para celular como o Ghost Radar Classic, que são sensíveis a vibrações. ‘Eddie’. Nosso grupo foi guiado naquela noite pelo “Cabeça de Cobre”, um homem de cabelos longos e lisos, com os braços cobertos de tatuagens. Ele carregava lanternas. Ele nos conduziu pelo corredor escuro, onde colocou as quatro lanternas no chão, apontadas para o teto, todas desligadas. Quando chegou a hora de se comunicar com o além-túmulo, o homem começou a falar: “Eddie, eu sei que você está chateado comigo, mas espero que saia”. O monólogo durou, até que Eddie, um antigo paciente que gostava de jogar pôquer, fez a lanterna mais próxima de nós piscar. Senti que estava vivendo minha história de fantasmas, mas comecei a me perguntar se aquela lanterna havia sido colocada em um lugar específico, com algum tipo de controle escondido. O guia nos encaminhou por uma série de corredores, até chegarmos a um lance de escadas atrás de uma porta enferrujada que estava trancada. Quando entramos na sala, liguei minha lanterna. Fomos para um corredor que nos levava a uma série de câmaras de isolamento. Assim que montamos a barraca, ouvimos um som estranho que vinha de uma parte distante do asilo – como se alguma coisa pesada fosse arrastada pelo chão. Thomas se levantou e perguntou se eu também havia escutado. No início, disse para ele que o som estava vindo da área sem fantasmas. Então, escutamos de novo e tínhamos certeza de que o som vinha do espaço onde ficava a porta enferrujada que levava à área da lobotomia (“a área proibida”). Quando ouvimos o som pela terceira vez, mais alto, Thomas saiu correndo para onde o guia estava. Estávamos na área proibida do asilo, o que significa que o som que ouvimos só podia ter vindo do além. Thomas arrumou as coisas e foi para o carro, se negando. Acabei indo para o carro também e, enquanto íamos embora, olhei para as luzes fracas do asilo e pensei em todas as pessoas que conhecia e que tinham uma história de fantasmas para contar. Se eu fosse capaz de acreditar, finalmente teria a minha história. CAÇADAS Algumas das visitas públicas são a “Caçada aos Fantasmas de Outubro” (seis horas e meia por US$ 100), a “Caçada aos Fantasmas das Alas Médica, Forense e Geriátrica” (seis horas e meia por US$ 100) e até mesmo um “Passeio Relâmpago” (meia hora por US$ 10).   Havia tantas opções que eu liguei para o número que aparecia no site do asilo, o trans-alleghenylunaticasylum.com, e perguntei à Rebecca, a mulher de voz rouca que atendeu, em qual teria mais chances de encontrar um fantasma.   “Sei onde colocá-los. A ala onde os pacientes se recuperavam da lobotomia. Ela é proibida para o resto do pessoal. Não há eletricidade, nem água corrente. No entanto, vou ter que pedir para você assinar um acordo de isenção de responsabilidade, porque se um de vocês quebrarem a perna correndo de um fantasma, não posso ser responsabilizada. Entenderam?”, disse a atendente.    FAMOSO Em “Atividade Paranormal”, de Oren Peli, um casal é perseguido por um espírito demoníaco dentro de casa. Uma câmera filma todas as atividades estranhas que acontecem.  

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