Os efeitos da troca de bebês

Longa do japonês Hirokazu Kore-Eda, “Pais e Filhos” levou o prêmio do júri no último Festival de Cannes, em maio

iG Minas Gerais |

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Laços. Relações familiares são tratadas com elegância no longa-metragem de Hirokazu Kore-Eda
São Paulo. “Pais e Filhos”, quando apresentado no último Festival de Cinema de Cannes, em maio passado, foi tido como um dos favoritos à Palma de Ouro. Analistas imaginando que Steven Spielberg, presidente do júri, tem uma predileção por filmes mais “fofinhos” apostavam que o drama de Hirokazu Kore-Eda conquistaria o coração do cineasta norte-americano. Não estavam de todo errados. “Pais e Filhos”, que passa hoje na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, não levou a Palma de Ouro, mas conquistou o bem menos prestigioso prêmio do júri.   O diretor japonês já havia disputado a Palma duas vezes com “Distance” (2001) e “Ninguém Pode Saber” (2004). Ganhou ainda mais força ao apresentar um drama elegante sobre laços sanguíneos e relação familiares: duas famílias, uma humilde e outra ricaça, descobrem, anos depois, que seus filhos foram trocados na maternidade – e tentam desfazer o erro. Kore-Eda investiga não apenas os efeitos de uma troca assim nos dois meninos, mas procura entender a importância da genética – o pai rico e competitivo sempre achou o filho “meio lento” – e da criação – o pai mais pobre é um hippie que mora no campo e é amado pelas crianças. “Essas trocas aconteceram com regularidade nos anos 60 e 70 no Japão”, diz o cineasta sobre a origem da trama. “Lembro de pelo menos 30 casos semelhantes, tanto que as famílias começaram a escrever à caneta o nome dos bebês nos pés deles”. O lado negativo do filme é que repete ingredientes já manipulados por parte da filmografia japonesa. Steven Spielberg comprou os direitos do remake para a produtora DreamWorks. Quem sabe as crianças trocadas funcionem melhor no Oscar.   Destaques Hoje “Um Toque de Pecado” (China, 2013), de Jia Zhang-Ke. O filme venceu melhor roteiro em Cannes. “Child’s Pose” (Romênia, 2012), de Calin Peter Netzer. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Amanhã “O Fim de Semana” (Alemanha, 2012), de Nina Grosse. Baseado no romance de Bernhard Schlink, sobre terrorista do Exército Vermelho. “O Homem das Multidões” (Brasil, 2013), de Cao Guimarães e Marcelo Gomes. A solidão em Belo Horizonte em novo filme do diretor de “Cinema, Aspirinas e Urubus”. 

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