Artista estimula a interação em “Touching III”

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Babette Mangolte em frente à projeção de uma de suas obras em Inhotim
Do seu vasto acervo de imagens capturadas na década de 1970, durante os primeiros anos de estadia em Nova York, Babette Mangolte selecionou uma coleção de imagens que se dispõem sobre duas mesas em “Touching III”, um dos trabalhos expostos desde a última quinta-feira, em Inhotim. A criação inédita, instalada na galeria Mata, reflete a atenção da artista francesa com o registro documental de suas experiências em território estrangeiro e reflete também o seu interesse em aproximar o público do universo da fotografia.   “Acho que se alguém é um fotógrafo ou um cineasta, ele acaba produzindo algo capaz de servir como referências importante no futuro. É importante pensar assim, pois uma geração não vê as mesmas coisas que presenciamos em determinado momento da vida. Eu realmente acredito nisso. Do contrário, eu não sei por qual motivo eu acordaria de manhã. Acho que a vida não faria muito sentido”, observa Babette Mangolte. Disponíveis ao público, as fotografias ali podem ser manipuladas manualmente, transitando de um lugar para outro, reconfigurando também, assim, o modo como são apresentadas. Babette diz criar com isso possibilidades de interação que, por sua vez, abrem janelas para o visitante descobrir elementos e chegar a diversas interpretações. “Quando você move aquelas imagens, é possível compará-las. Começam a aparecer, assim, similaridades e diferenças com as outras. Algumas, por exemplo, parecem mostrar o rosto do mesmo ator, o mesmo cenário, outras não. Então, a proposta é que as pessoas vejam e interajam com o trabalho. A mesa foi pensada para que haja essa atitude, dependendo, porém, do nível de interesse de cada um pelas fotografias”, acrescenta. Ela ressalta que as imagens são feitas de vários detalhes abstratos que nem sempre se mostram fáceis de serem digeridos, como são as fotos instantâneas produzidas atualmente e compartilhadas via celular ou redes socais. “Algumas foram criadas durante encenações de peças de teatro e são mais complexas. Eu acho que diante delas você é seduzido não pela complexidade, mas pelo fato de que você pode descobrir coisas que permitem a qualquer pessoa atribuir significados àquilo que está vendo. Tudo depende do tempo gasto ali. Quanto mais em contato com aquelas cenas, mais relações e informações novas são possíveis de serem descobertas”, explica a artista. Além dessa obra, filmes, como “Edward Krasinki’s Studio” (2012) são criações recentes que se oferecem como oportunidade para o público conhecer melhor o trabalho da artista que terá uma mostra dos seus filmes no dias 1, 2 e 3 de novembro no Cine Humberto Mauro, além de outra no Memorial Minas Gerais-Vale, com sessões hoje e também nos dias 29 e 30. Programe-se Cinema de Artista: Mostra organizada por Babette Mangolte no Memorial Minas Gerais-Vale (praça da Liberdade, gratuito). Hoje: 16h – “Mes Nuits Sont Plus Belles que Vos Jours – Monologues”; “Pull My Daisy” , de Robert Frank & Alfred Leslie; “Prelude: Dog Star Man” , de Stan Brakhage; dentre outros.

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