Dilma anuncia R$ 5,4 bi para SP

Valor coincide com o dinheiro que petista disse ter investido em mobilidade em Minas; PSDB contesta

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Marcelo Camargo / Agência Brasi
Alfinetadas. Dilma disse que os governos anteriores ao PT passaram por “momento muito difícil”
Ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), a presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou um investimento de R$ 5,4 bilhões para a ampliação do metrô na cidade e ainda criticou os governos federais que antecederam o PT por não terem feito investimentos em transporte público.   O valor é o mesmo que Dilma disse, em entrevista à rádio Itatiaia anteontem, ter repassado a Minas Gerais para investimentos em mobilidade urbana. A “coincidência” foi questionada pelo PSDB mineiro. Em nota oficial, os tucanos chamaram de “mentirosa” a afirmação da presidente sobre os recursos para Minas. Segundo o texto, uma equipe do governador Antonio Anastasia (PSDB) esteve duas vezes no Ministério das Cidades levando as demandas de investimento em mobilidade de R$ 5 bilhões, mas que, “até hoje, os mineiros não receberam nenhuma resposta”. “Os recursos que Dilma afirma ter destinado a Minas, na realidade, foram encaminhados para São Paulo, onde ela autorizou R$ 5,4 bilhões em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes”, diz a nota. O deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB-MG) também criticou a petista pelo anúncio. “Esse número não existe. Ela não pode brincar com algo tão importante. Nossas estradas estão em péssimo estado, e toda a região metropolitana de Belo Horizonte sofre com a falta de mobilidade urbana. Há dez anos não há investimento em transporte e no metrô”, afirmou o tucano. A reportagem de O TEMPO entrou em contato com o Ministério das Cidades para saber se Dilma cometeu um equívoco. A assessoria da pasta disse que, “se a presidente falou, a informação estava correta”. Crítica. No mesmo palanque de Alckmin, Dilma alfinetou governos anteriores aos do PT. “Nos anos 1980 e 1990, era considerado inadequado fazer metrô. Essa inadequação estava ligada ao fato de o Brasil passar por um momento muito difícil. A gente tinha de pedir autorização ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Por isso foi tão bom – não é, governador? – a gente ter pagado a dívida com o FMI, que não supervisiona mais as nossas contas”, disse a presidente. No período mencionado por Dilma, o país foi governado, entre outros, pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002). Em contrapartida, Alckmin usou seu discurso para cobrar investimentos da União para a expansão da malha metroferroviária do Estado. “Os grandes metrôs do mundo tiveram recursos do governo federal”, alfinetou o tucano. Pacote Fatias. Em SP, R$ 4,1 bi serão financiados pelo BNDES, e R$ 1,3 bi sairão do Orçamento da União. Os recursos fazem parte do pacote de mobilidade anunciado após os protestos de junho.

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