Curtir sim, mas com atenção

iG Minas Gerais |

As polêmicas, à medida que se prolongam, vão perdendo a razão de ser. Assuntos como espionagem, privacidade, privatização e autorização para biografias têm pautado a mídia. Na internet, os temas viraram febre. Todos têm uma opinião. Ótimo! Entretanto, o que se percebe é que as opiniões são apenas entendimentos pessoais sobre isso ou aquilo. Não há, ou há muito pouca, argumentação fundamentada em estudos sérios e dados estatísticos. Em outras palavras, o mundo virtual é o do “achismo”. As opiniões são importantes e válidas, mas é preciso entender que são apenas opiniões. Trata-se de uma leitura sob a ótica pessoal e particular de cada um. A expressão é livre, e precisa ser, mas a interpretação também. Assim, não é possível que a opinião de um ou outro se torne verdade absoluta. O mundo virtual cria um desafio para a modernidade: distinguir a realidade do fictício. No mundo da política, isso é fundamental. A comunicação estabelecida apenas pelas redes sociais representa um risco. Não que ela não deva acontecer. Mas também não é possível que ela seja a única ferramenta de orientação política e eleitoral. Se, em questões menores e individuais, é possível cometer grandes equívocos por meio das redes sociais, imaginem o que pode acontecer em relação às abordagens mais amplas e coletivas, como é o caso da política. A campanha pelas redes sociais está liberada, o que é muito bom para que candidatos e eleitores já tenham a oportunidade de estabelecer proximidade. Entretanto, o espaço aberto pode ser muito mal-utilizado. O eleitor desde já precisa tomar cuidado com as informações que lhe aparecem o tempo todo. Voltando às polêmicas que dominam a mídia, é interessante ressaltar que os políticos, especialmente os candidatos, têm aproveitado os fóruns de debates virtuais para se posicionar e até fazer marketing. É bom que o eleitor saiba o que o seu representante pensa sobre os assuntos controversos, porque, em um futuro muito próximo, ele poderá votar sobre o tema em nome do eleitorado. O problema acontece quando o representante pensa de formas diferentes nos vários fóruns sobre uma mesma polêmica. Se o debate ocorre no grupo que faz a defesa, por exemplo, da não utilização de animais em experiências científicas, o candidato se faz presente, dá seu apoio e até publica um relato indignado. Mas em outro fórum, no que pretende repensar a necessidade de usar cobaias em experimentações que podem ajudar a desenvolver medicamentos importantes, a conversa já é outra. E nem todos percebem que aqueles dois discursos são originados da mesma pessoa. Nesse exemplo, o intuito eleitoral é descarado, mas nem sempre é perceptível para o cidadão desatento. Portanto, o que é rosa pode ficar verde a qualquer momento, de acordo com a conveniência de quem só existe no mundo virtual. A possibilidade de ser ter mais informações é excelente, mas também exige maior poder de discernimento. E isso dá mais trabalho do que ficar apenas dando cliques em todos os “curtir” que surgirem na telinha do celular.

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