Imprudência é a maior causa de acidentes de trabalho

Equipamentos de segurança individual e coletiva são ferramentas necessárias para os profissionais; trabalhadores atuam sem as condições estabelecidas por norma

iG Minas Gerais |

O número de óbitos em acidentes de trabalho é assustador e preocupante. O Brasil é o quarto país em incidência no quesito, de acordo com pesquisa feita pela Previdência Social.    Além da falta de informações, a principal causa mundial de morte por acidente de trabalho é o desrespeito às normas básicas de proteção. Na última segunda-feira (21), o funcionário da Cemig e morador de Contagem Carlos Alberto Ribeiro foi vítima de um acidente de trabalho. No momento do incidente, ele trabalhava na manutenção de uma linha de alta-tensão quando recebeu a descarga elétrica. Na ocasião, ele foi socorrido e levado ao hospital, porém não resistiu ao choque e morreu.    Outro caso de acidente de trabalho envolvendo um morador contagense foi o do técnico em automação industrial Leonardo Augusto de Oliveira. “Quando eu estava dando o parecer final sobre o que foi executado na empresa, tomei um choque elétrico de 13.800 volts atingindo meu antebraço direito. Acredito que o acidente tenha sido causado por falta de equipamentos de proteção individual, equipamentos de proteção coletiva e irresponsabilidade do técnico de segurança do trabalho da empresa”, contou Leonardo.    O trabalhador afirmou ainda que, devido ao grau de perigo dos serviços executados, as medidas de proteção exigidas através de normas regulamentadoras não foram tomadas. “Nem a empresa contratada nem a contratante disponibilizaram os EPIs. Usei equipamentos de minha propriedade”, declarou.    De acordo com a assessoria de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de BH e Região Metropolitana-Marreta, a situação é complexa. Eles explicam que não há fiscais em número suficiente para o grande número de obras na região metropolitana. Consequentemente também não há monitoramento. “A maioria das empresas é reincidente no descumprimento das normas de segurança. Os responsáveis por crimes trabalhistas devem ser responsabilizados também criminalmente pelo descumprimento da legislação trabalhista, pelas mortes e mutilações de trabalhadores, bem como pelas péssimas condições de trabalho”.  Causas e riscos   Jornadas de trabalho estafantes e excessivas, falta de medidas coletivas de proteção, pressão por produção, não cumprimento pelas empresas das normas regulamentadoras, falta de alimentação nos canteiros de obras podem ser relacionadas como as principais causas dos acidentes.    Segundo o STIC-BH Marreta, acidentes por quedas de altura, choque elétrico, soterramento, cortes em máquinas, perfurações por pregos, entre outros, são os tipos mais recorrentes em casos de acidentes de trabalho.    Em muitos casos, as vítimas podem ter sequelas irreversíveis. “Diante do choque em alta-tensão que tomei, graças a Deus não tive nenhuma sequela. O risco de morte e ou dilaceração de membros nesse caso é inevitável, o que ocorre em quase 100% em pessoas envolvidas nesse tipo de acidente. Sofri apenas queimaduras de terceiro grau no antebraço direito e uma leve queimadura por irradiação de alta temperatura no rosto”, lembrou Leonardo.   Prevenção Atualmente, na região metropolitana, a conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos, inclusive sobre segurança do trabalho, é feita pelo Sindicato dos Trabalhadores STIC-Marreta e a Federação dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Minas Gerais – Feticom-MG, que vêm promovendo seminários sobre o tema e ações com os trabalhadores para que eles se mobilizem e lutem por seus direitos. “Quem deveria orientar e monitorar esse trabalho deveria ser o Ministério do Trabalho e Emprego, mas o número crescente de mortes e mutilações é revelador de como essa situação tem sido tratada”, concluiu a assessoria do sindicato.  

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