Projeto investe em condomínio voltado para adultos autistas

Nos EUA, residência a ser lançada visa inspirar uma “vida com propósito”

iG Minas Gerais | Michael Tortorello |

Winni Wintermeyer/The New York Times
Uma das casas que fazem parte do condomínio na Califórnia
SONOMA, EUA. Eis uma verdade sobre crianças com autismo: elas crescem e se tornam adultos com autismo. Defensores estimam que ao longo da próxima década, 500 mil desses indivíduos se tornarão adultos nos Estados Unidos. Ninguém pode afirmar com certeza o que a vida adulta lhes reserva. Para começar, onde eles vão morar e trabalhar? Um estudo de 2008 da Easter Seals descobriu que 79% dos adultos jovens com distúrbios do espectro do autismo continuam a residir com os pais. A maioria deles nunca procurou emprego. Mesmo assim, a expectativa de vida dos autistas é mais ou menos igual à média. Então, crianças com autismo não podem ficar em casa para sempre. Essa percepção – tão óbvia quanto preocupante – despertou recentemente uma reação de pesquisadores, arquitetos e, especialmente, dos pais. Em 2009, duas acadêmicas, Kim Steele e Sherry Ahrentzen, colaboraram em “Propostas de habitação para todo o espectro”, diretriz abrangente para projetar casas para adultos autistas; um livro mais detalhado sobre o tema deve ser lançado no ano que vem. O primeiro avanço dentro desse modelo pode ser o Sweetwater Spectrum, residência para 16 adultos cujas capacidades e deficiências abrangem todo o espectro autista. O projeto inovador de US$ 10,4 milhões (R$ 22,7 milhões) foi inaugurado em janeiro no centro da região vinífera da Califórnia; as famílias fundadoras e a diretoria esperam torná-lo um modelo para experimentos similares pelos EUA. A dupla de acadêmicas citou uma lista de projetos habitacionais novos ou futuros. Uma das iniciativas mais promissoras é o Airmount Woods, Ramsey, em Nova Jersey, que vai receber moradores em novembro. Cotidiano. É fácil planejar um dia agradável em Sweetwater. Comece a manhã com 30 minutos no aparelho elíptico na sala de ginástica. Para o café, ovos frescos do galinheiro na cozinha comunitária. Depois, semear um canteiro de sementes de tomate na enorme estufa, treinar arremessos na cesta de basquete ao ar livre. E se for sexta-feira, por que não dar uma passadinha na noite de atividades no saguão social? Tais comodidades são fundamentais para o empreendimento, afirmou a CEO e diretora executiva do Sweetwater, Deirdre Sheerin, 53. Segundo ela, a imagem pública de ter autismo é a de letargia e isolamento social. Pense em alguém “sentado em uma poltrona com videogame, comendo coisas estranhas”. Em contrapartida, tudo a respeito do Sweetwater existe para inspirar uma “vida com propósito”. Custos. Para começar, os moradores escolheram se mudar para lá, e também escolheram com quem dividir a casa. De forma similar, as famílias contratam seu próprio atendimento, seja auxílio 24 horas ou ajuda casual. Segundo Deirdre, de certa forma, o Sweetwater é um locador glorificado: todo inquilino assina um contrato de aluguel de 12 meses, pagando aluguel de US$ 650 (R$ 1.430)e taxa de associação, no valor de US$ 2.600 (R$ 5.730), mensais. A declaração da missão do Sweetwater alinha princípios ambiciosos. Os moradores vão poder envelhecer ali. A comunidade deveria “acomodar uma ampla gama do espectro financeiro”, subsidiando a moradia de um quarto dos inquilinos. E os atendentes (que não são empregados do condomínio) deveriam receber incentivos para formar relações de tratamento estáveis e de longo prazo. “Você escuta sobre organizações planejando essas coisas, mas demora até as fontes de financiamento funcionar” Sherry Ahrentzen colaboradora    

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