Uma viagem pelo universo de Jobim

Compositor carioca mostra várias facetas da música do maestro, com a participação especial de Lô Borges

iG Minas Gerais | Thiago pereira |

Dani Gurgel/Divulgação
Desde a infância , quando começou a tocar, Mario Adnet desvenda a musicalidade de Tom Jobim
A relação de Mario Adnet com Tom Jobim é arterialmente conectada com a relação dele com a música em geral. Foi com as canções do maestro que ele deu seus primeiros passos no violão. “Eu tinha 9 anos, meu professor de violão sabia tocar coisas da bossa nova, como ‘Garota de Ipanema’, e ia me ensinando. Com essa idade, eu já sabia as coisas mais conhecidas do Tom”. A partir daí, o universo jobiniano se abriu de vez para ele. “Durante a adolescência, passei a conhecer outras coisas, fui inclusive mapeando as influências dele, como Debussy e Villa-Lobos”. Desde então, Adnet carrega Jobim em uma série de projetos seus, como “Jobim Jazz”. O primeiro disco veio em 2007, celebrando o aniversário de 80 anos do maestro. Em 2011 chegou a continuação “+Jobim Jazz” e a reunião do repertório destes discos é o cerne do show que desembarca hoje à noite no Grande Teatro do Sesc Palladium. Como ele mesmo diz, a apresentação é uma espécie de “esquenta” para a gravação de um DVD, que será registrado no próximo dia 31 de outubro no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Com direção musical e arranjos do próprio Adnet, ele sobe ao palco acompanhado de seu violão e uma orquestra, relembrando desde o início até a fase final da carreira do maestro. Foi nessa época, dois anos antes da morte de Jobim (em 1994), que Adnet travou maior contato pessoal com o mestre. “Ele vinha tocando um arranjo que fiz para ‘Maracangalha’, do Dorival Caymmi, desde 1991. Minha irmã, que cantou na banda dele, apresentou meu trabalho – o Tom até ‘roubou’ a fita dela”, lembra. Jobim incluiu a música em seu último álbum, “Antonio Brasileiro”, honra máxima para Adnet. O último disco do maestro também conecta Adnet com o convidado do show de hoje, Lô Borges. Em “Antônio Brasileiro” está a versão de Jobim para “Trem Azul”, clássico do Clube da Esquina. “O convite para a apresentação veio daí”, revela Adnet. “Não só por ele ser um músico local, mas também por essa conexão. Quando conversei com o Lô sobre isso, ele falou que, uma vez no Japão, o convidaram para fazer uma versão para ‘Desafinado’. Ele fez, com uma harmonia diferente, lembrou disso e me mandou um vídeo e vamos repetir essa versão dele no show”. Além disso, o repertório faz um passeio pela carreira universal de Tom através de standards como “Wave” e “Samba do Avião”. Outro nome fundamental para música de Mário Adnet é o maestro Moacir Santos. Ele primeiramente recuperou as composições de Santos no projeto “Ouro Negro”, e agora, em “Jobim Jazz”, abre o diálogo de Tom com a música de Santos. “Moacir mudou minha vida”, assume Adnet. “Sou uma pessoa antes e outra depois de conhecer a obra dele. Me mostrou elementos musicais muito importantes para escrever o que eu escrevo, foi como fazer um mestrado”, diz. Além das conexões naturais entre a música dos dois (ilustrada pelo amor em comum que eles tinham pelo músico Gerry Mulligan), Adnet conta um história emocionante sobre a presença dos mestres em sua música. “Começamos a gravar o primeiro ‘Jobim Jazz’ no dia em que o Moacir morreu. Passamos o dia trancados em estúdio, sem saber de nada, espantados com a facilidade com que a sessão transcorria. Até comentei com o pessoal que parecia que tinha alguém ajudando a gente ali, já que não tínhamos ensaiado muito aquelas músicas complicadas. No final do dia, quando soubemos da notícia, foi uma emoção muito grande. Então é uma felicidade poder celebrá-lo hoje também”, conclui. Serviço: Mário Adnet – “Turnê Jobim Jazz”. Convidado especial:Lô Borges. Hoje, às 21h, no Grande Teatro Sesc Palladium (av. Augusto de Lima, 1.046, centro) Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia).1

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave