Dona Margarida volta aos palcos de BH

Michelle Ferreira vive uma professora autoritária

iG Minas Gerais | Gustavo rocha |

Natália ortiz/divulgação
Atriz foi premiada no Festival de Monólogos Latinoamericanos em Cuba
Desde os 15 anos de idade, quando viu, pela primeira vez, o espetáculo “Apareceu a Margarida” na Mostra de Teatro de Araxá, a atriz Michelle Ferreira tomou para si um objetivo cênico: realizar a montagem. “Fiquei impressionada com o texto. E, na ‘crise dos 30’, me veio a coragem de levar à cena meu primeiro monólogo”, afirma Michelle, que apresenta o clássico de Roberto Athayde na Mostra BH in Solos. “Apareceu a Margarida” mostra uma professora autoritária em sala de aula, numa clara menção ao autoritarismo vivido no período de exceção durante a ditadura militar brasileira – entre 1964 e 1985. O temor do texto pertencer demais ao período em que foi escrito foi superado por Michelle e Camilo Lélis, diretor da peça, quando ambos começaram a considerar as formas de autoritarismo vividos hoje. “Quais são as ditaduras que vivemos hoje? Uma das coisas que ficou muito forte foi a sociedade de consumo, essa coisa desenfreada, essa relação de ser e ter, da propaganda. O trabalho fez com que a dramaturgia sofresse alterações, cortamos muita coisa”, explica Michelle. A atriz não esperava que o espetáculo conseguiu dialogar com o público de outros países. Em Cuba, em 2011, Michelle foi premiada no Festival da Monólogos e recebeu convite para fazer o trabalho na Colômbia. Não era necessário, mas ela e o diretor resolveram traduzir o trabalho para língua espanhola antes de partir. Segundo ela: “O Roberto ( autor do texto) estabelece um jogo que é basicamente linguístico, portanto, era fundamental que todos compreendessem exatamente o que eu dizia”, garante a atriz. Se no Brasil, a aproximação entre o texto e o público se deu através de sua atualização por conta do consumismo, em Cuba, as pessoas se identificaram muito com esse cerceamento da liberdade de expressão, conta a atriz. Serviço . “Apareceu a Margarida”. Amanhã, às 20h, no Esquyna – Espaço Coletivo Teatral (rua Célia de Souza, 571, Sagrada Família). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia).

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