Estatísticas traçam panorama do Enem 2013

Conheça as principais novidades do Exame Nacional do Ensino Médio, teste que está completando 15 anos de realização

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013 acontece neste fim de semana, 26 e 27 de setembro.  Lembrando que as provas estão marcadas para as 13h, horário de Brasília, mas no Ceará elas serão realizadas às 12h, devido ao fuso horário de verão. Embora avaliar o ensino médio fosse o objetivo inicial da prova, quando criada, há 15 anos, o exame assumiu novo perfil ao se tornar a porta de entrada no ensino superior, entre faculdades privadas e públicas.   Completando 15 anos de realização, o Enem, hoje, pode ser definido por suas estatísticas. Em 1998, em sua primeira edição, o Exame registrou 157, 2 mil inscritos e 115,6 mil participantes. Na 4ª edição, em 2001, já alcançava a marca de 1,6 milhão de inscritos e de 1,2 milhão de participantes. Em 2006, o Enem estabeleceu novo recorde, com 3,7 milhões de inscritos e 2,8 milhões de participantes. E em 2013, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), 7,1 milhões se inscreveram para as provas.   Treineiros Com a popularização do Exame Nacional do Ensino Médio, cresceu o contingente de candidatos inscritos com o objetivo de “treinar” para o Enem. De acordo com o MEC, dos 7,11 milhões de inscritos, 10%, ou pouco mais de 759 mil de pessoas, só vão concluir o ensino médio no ano que vem ou depois. Entretanto, há Estados, como o Ceará, por exemplo, onde os treineiros representam mais de 30% dos inscritos. De 2009 (quando se tornou vestibular) até 2013, a proporção de candidatos treineiros saltou 87%.   Os candidatos que ainda não concluíram o ensino médico e vão fazer o Enem buscam se adaptar ao estilo das provas. O interesse na adaptação é resultado da consolidação do exame como porta de entrada para as universidades federais. Alguns professores indicam esse treino, pois é importante o candidato conhecer todos os passos do processo. Vale lembrar que a prática de fazer vestibular como teste já era incentivada por escolas particulares e cursos preparatórios. Com o Enem, especialistas afirmam que o treino ameniza o impacto psicológico nos candidatos, para que eles não encarem o exame, no futuro, como um universo desconhecido.   Faixa etária O percentual de candidatos mais velhos inscritos no Enem também cresceu. Na faixa dos 31 aos 35 anos, por exemplo, a variação foi de 35,50%, passando de 4,62% para 6,26% do total. Observação: o Enem pode ser usado também como certificado de conclusão do ensino médio.   Cotas Em 21 Estados, além do Distrito Federal, a proporção de candidatos pretos, pardos e indígenas (PPI) no Enem supera à registrada no Censo 2010 do IBGE. O principal motivo é a Lei de Cotas nas federais, que fazem a seleção de universitários por meio da prova.   Segundo a legislação, o porcentual de PPI de cada Estado deve ser atendido entre os cotistas de escola pública. Neste ano, as federais devem garantir a matrícula de 25% dos novos alunos, por curso, oriundos da rede pública. Em 2016, a participação deverá ser de no mínimo 50%. Enquanto o total de inscritos subiu 24% entre 2012 e 2013, a alta de cotistas foi de 29%. A proporção de PPI no Enem chegou a 56%, maior também do que o Censo registra na população brasileira: 51%.   A maior proporção de PPI entre os inscritos foi em Sergipe, com 80,58%. O censo registra que 71% da população do Estado é PPI. Tanto o IBGE quanto o Enem usam o critério de autodeclaração - preto, pardo, indígena e branco. Os negros são a soma de pretos e pardos.    Além da Lei de Cotas nas federais, a expansão do Programa Universidade para Todos (ProUni), que dá bolsas parciais e integrais em instituições particulares de ensino superior, ajuda a explicar os números. "Os dados revelam que as políticas de inclusão estão no caminho certo", avalia o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocêncio. Segundo ele, novas chances de acesso têm encorajado mais candidatos.   Para o presidente do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, Jorge Werthein, a tendência de aumento de PPI, registrada desde 2010, deverá manter-se. "Mas ainda são necessários mais mecanismos de permanência desse grupo nas universidades”.    Egressos Funcionando para o vestibular de instituições públicas, acesso a bolsas em particulares, diploma de ensino médio e intercâmbio pelo Ciência sem Fronteiras, o Enem tem atraído cada vez mais pessoas egressas do ensino médio. Dos 7,11 milhões de inscritos, 77% dos candidatos estão encaixados nesta categoria.   Menos rendimento Os candidatos ao Enem que trabalham ou já trabalharam têm pior rendimento na redação. Analisando dados do exame de 2011, o jornal O Globo percebeu que 50% dos participantes informaram exercer ou já ter exercido atividade remunerada. Este grupo obteve média de 332 pontos na redação. Entre as pessoas que afirmaram nunca ter trabalhado, a média foi de 416. Uma diferença de 25%. Além disso, o número de horas trabalhadas influencia diretamente na média. Quanto mais longo o batente, menor a nota.   A baixa renda das famílias pode ser um dos fatores que mais levaram os alunos a trabalhar. Nesse caso, eles enfrentariam não só condições desfavoráveis para a sua formação em razão da baixa renda familiar, como também podem se dedicar menos aos estudos, por causa do trabalho. No grupo das famílias com renda até 2 salários mínimos, a proporção de candidatos que trabalhavam ou já haviam trabalhado chegou a 62%. Esta porcentagem cai à medida que sobe a renda da família.   Entre estudantes de famílias com renda entre 15 e 30 salários, por exemplo, o percentual de jovens que afirmaram trabalhar ou já terem tralhado foi de apenas 17%. A rede municipal tinha até 40% dos estudantes exercendo alguma atividade remunerada no Enem 2011. Entre os alunos da rede estadual, esse percentual chegou a 30,6% e, na rede federal, a 22%. As escolas privadas apresentaram a menor proporção de alunos que trabalhavam: 13%.    Bebês do Enem O Ministério da Educação revisou o número de gestantes inscritas no Enem 2013 e divulgou, na última segunda-feira, que 712 mulheres podem dar à luz entre os dias 20 e 31. Em todos os estados e no Distrito Federal, há gestantes com possibilidade de parto nos dias da prova neste final de semana.   O assunto tornou-se preocupação, segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, após o caso da estudante Pâmela de Oliveira Lescano, de 17 anos, que, no ano passado, deu à luz momentos antes do início do Enem, em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul. De acordo com os números divulgados pela pasta, o estado com o maior número de candidatas gestantes com possibilidade do parto é São Paulo, com 78. O estado é seguido por Minas Gerais (74), pelo Rio de Janeiro (55) e pelo Rio Grande do Sul (55).   Segundo Mercadante, as grávidas estão em 351 municípios. O Ministério da Educação entrou em contato com as secretarias municipais e fez um mapeamento dos hospitais próximos aos locais onde as candidatas farão o exame. Além disso, haverá profissionais de saúde disponíveis nesses locais de prova.    Em tempo As provas do Enem 2013 já estão nos Estados, armazenadas em galpões do Exército, com proteção especial. Foram guardadas em aproximadamente 63 mil malotes, com cadeado eletrônico com GPS para garantir a segurança. Os lacres registram o horário do fechamento do malote na gráfica e o horário em que foi aberto no local de aplicação da prova.   Um assunto sempre atual e cobrado no Enem diz respeito aos combustíveis renováveis. A prova exige que o candidato esteja informado sobre o assunto e que resolva questões que relacionam, por exemplo, quantidade de calor e impacto ambiental.   Para minimizar as chances de chegar atrasado à prova, o candidato deve traçar antecipadamente a rota para o local do exame. Lembrando que no Ceará a prova acontecerá às 12h, mas os portões estarão abertos 1h antes do início do Enem.   O candidato pode sair sem a prova a partir das 14h. Se preferir sair de posse da prova, ele deve esperar até às 16h. O horário do exame termina às 16h30 min (sábado) e às 17h30min (domingo).

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