Juiz manda prender militares por homicídio e tortura e cita Amarildo na sentença

Oito militares são suspeitos de matar um jovem e torturar um morador da região; ao expedir mandado de prisão, juiz citou o caso do pedreiro morto no RJ

iG Minas Gerais | MÁBILA SOARES |

A Justiça decretou a prisão preventiva de dois policiais militares de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, acusados de homicídio. Outros seis militares são suspeitos de tortura. A decisão é da 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri. De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), os militares suspeitos de assassinato foram pronunciados por terem torturado e executado uma pessoa desarmada e baleada, inclusive com um tiro na nuca. A execução se deu durante busca e apreensão de drogas e invasão de domicílio. Segundo o juiz, “o laudo demonstra um corpo cravejado de projéteis, indicando que não foi necessário apenas um tiro para liquidar a vida da vítima, mas diversos e, por fim, talvez, o de “misericórdia” na nuca.”   Os outros envolvidos são acusados de coagir um homem para assumir a posse de pedras de crack e agredi-lo. Eles teriam invadido a residência da vítima, colocado um pano na janela para que ninguém visse e espancado o morador. Em seguida, teriam ordenado que ele vestisse uma blusa de frio para camuflar os hematomas e dissesse à autoridade policial que havia caído de uma motocicleta durante a busca e apreensão das drogas. A vítima relata ainda que ele e a família foram ameaçados de morte pelos policiais caso denunciam o caso. O laudo de corpo de delito, segundo o juiz, retratou de forma clara as agressões.   O juiz ponderou que há inúmeros processos envolvendo abusos cometidos por policiais em Ribeirão das Neves, que têm configurado uma prática “corriqueira e constante”. Ele citou o caso do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, no Rio de Janeiro, sustentando que não se pode admitir que policiais militares “usem da farda e de um armamento fornecido pelo Estado para agredir a sociedade que o sustenta.”   Habeas corpus   A defesa de todos os acusados entrou com um pedido de habeas corpus junto à 5ª Câmara Criminal. O documento, no entanto, foi rejeitado pela Justiça.

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