Aluna de direito é retirada da sala por militares e se sente humilhada em BH

Polícia Militar recebeu uma denúncia de que uma aluna estaria armada dentro da sala de aula; coordenadora e militares levaram a universitária para uma dispensa e ela precisou abrir a bolsa

iG Minas Gerais | ALINE DINIZ |

“Quando a coordenadora me chamou, fiquei assutada. Estou muito revoltada, fui humilhada e constrangida na frente de todos”. É assim que a aluna do 6º período de direito, da Faculdade do Estado de Minas Gerais (Facemg), retrata a situação que passou nessa quarta-feira (23). Segundo a moça, que pediu para não ter a identidade revelada, ela estava na sala de aula quando percebeu a movimentação de sete ou mais militares no prédio. Logo em seguida, ela precisou acompanhar os agentes até uma sala e mostrar o que havia dentro de sua bolsa. Segundo a universitária e educadora, a coordenadora do curso foi até a sala dela, por volta de 20 horas, acompanhada de dois policiais, e informou que a Polícia Militar (PM) havia recebido uma denúncia de que uma loira estaria armada dentro da sala 11. Nesse momento, a vítima chegou a dizer que havia reparado a presença de policiais na porta da faculdade revistando passageiros de ônibus por causa de uma denúncia semelhante, há alguns dias. Após comentar esse fato com a funcionária, a mulher saiu da sala e ficou menos de cinco minutos e entrou novamente no local. “Ela voltou dizendo que era comigo mesmo que ela precisava falar e que a denúncia não se tratava de uma loira e sim de uma mulher que vestia uma blusa amarela. E eu estava com uma camiseta dessa cor”, contou a moça. Diante disso, a aluna pegou a bolsa e saiu da sala. A coordenadora levou a moça e dois policiais até o quartinho de dispensa, onde ficam os materias de limpeza. Lá, com a porta fechada, os agentes e a funcionária da faculdade pediram que ela abrisse a bolsa. “Eu mostrei que não estava armada e levantei um pouco a blusa para que eles conferissem minha cintura”, conta. O que deixou a estudante revoltada foi o fato de não haver uma policial para revistá-la. Além disso, ela contesta a postura da coordenadora. “Ela é uma doutora em direito e sabe que isso é errado. Me senti pressionada a abrir a bolsa, eles não tinham mandato”, relata. Exposição Ainda de acordo com a universitária, vários alunos, inclusive de outra instituição de ensino, ficaram no corredor acompanhando a cena, fato que lhe causou ainda mais constrangimento. “Depois, a coordenadora voltou para a sala de aula e disse que não iria aceitar briguinhas e nem outro tipo de assunto que atrapalhe o trabalho desenvolvido em sala de aula. Ela enfatizou que o ocorrido poderia prevenir que algo de mais grave acontecesse”, afirma. A estudante foi até a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (OAB) e relatou o fato para o presidente da comissão, William dos Santos. De acordo com o advogado, a moça quer uma retratação da instituição de ensino e do governo. Santos relatou á reportagem de O TEMPO que vai entregar um ofício ao secretário de defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz, requisitando a retratação. A estudante garantiu que não quer dinheiro e sim a sua dignidade de volta, porém, se isso não ocorrer ela pretende acionar a Justiça “Não ter uma policial mulher é um absurdo. Eles não tinham fundamento nenhum na denúncia. Quero que o secretário e a faculdade peçam desculpas publicamente”, disse. Há dois dias, a aluna não vai à faculdade porque não quer ser alvo de piadinhas. “Até ontem eu só chorava, mas hoje fiquei revoltada”, completa. A assessoria de imprensa do 34° Batalhão de Polícia Militar informou que a estudante deve procurar a sede do batalhão para fazer uma reclamação formal. A partir disso, será instaurado, ou não, um processo para apurar se houve inadequação na ação dos policiais. A reportagem entrou em contato com a Facemg, mas até o fechamento dessa matéria, ninguém foi encontrado para prestar esclarecimentos.

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