Brasil recebe apoio da Alemanha na proposta de privacidade na Internet

A intenção dos governos brasileiro e alemão é não citar, em nenhum momento, o caso de espionagem e não apontar os americanos como grandes vilões

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A Alemanha manifestou nesta sexta-feira (25) apoio ao Brasil para tentar aprovar nas Nações Unidas uma resolução a favor da privacidade na Internet. A proposta inicialmente brasileira, a resolução será agora dividida com o governo alemão, também atingido diretamente pela espionagem da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês). Nesta sexta, o Itamaraty confirmou que deverá reescrever com os alemães o primeiro rascunho de uma resolução a ser apresentada à Assembleia Geral. A decisão alemã de unir esforços com o Brasil foi revelada pela revista americana Foreign Policy. Representantes dos dois países na ONU se reuniram esta semana em Nova York com diplomatas de outros países europeus e latino-americanos e decidiram dar força à resolução, proposta pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso na abertura da assembleia geral, em setembro. A proposta brasileira foi recebida inicialmente com desconfiança especialmente entre os países mais ricos. Havia o temor de que uma algum tipo de regulamentação pudesse, na verdade, virar uma espécie de censura nas comunicações, especialmente na Internet. No entanto, as recentes revelações de que Alemanha e França também foram espionados - não apenas a população, mas empresas e até a chanceler alemã, Angela Merkel - mostraram que a indignação brasileira não era vã. Nesta sexta, o jornal britânico The Guardian revelou ainda que Brasil, França, Alemanha e México seriam apenas alguns dos governos, aliados ou não, que teriam sido espionados pelos americanos. Pelo menos outros 35 países foram monitorados. A intenção dos governos brasileiro e alemão é não citar, em nenhum momento, o caso de espionagem e não apontar os americanos como grandes vilões. A resolução deve, inicialmente, ampliar a proteção para as comunicações online, que não existiam quando o Pacto foi criado. A versão final do texto ainda está sendo negociada e deve ser passada pelos diversos países que compõe a Assembleia Geral para que se obtenha um texto palatável a maioria. A proposta deve ser votada ainda este ano.  

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