MEC deixa universitários do país na Irlanda sem dinheiro

Auxílio-alimentação no valor de 400 não é repassado a 120 estudantes; bolsa é de 300

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

MEC/divulgação
Estudantes brasileiros financiados pelo MEC se reúnem com professores em universidade na Irlanda, onde fazem intercâmbio
O estudante Allyson José Borges Neves, 21, saiu do Brasil no início de setembro para participar do programa federal Ciência Sem Fronteiras e estudar em uma universidade no exterior. Mas a realidade lá não está sendo tão boa quanto ele havia imaginado antes de sair de casa. “Estou tendo muitas dificuldades por aqui. Estou devendo dois colegas que me emprestaram dinheiro para eu me alimentar e suprir meus gastos pessoais. Infelizmente, tive que pedir alguma quantia para os meus pais, mas como eles não têm boa condição financeira, me enviaram somente  100”, revela o jovem, que é aluno do curso de engenharia geológica na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Allyson é um dos cerca de 120 jovens que dizem estar sem receber o auxílio-alimentação prometido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pelo programa. O valor de  400 foi acordado entre a instituição e os intercambistas, e será complementar à bolsa de estudos de  300 prevista no edital do programa. Os bolsistas estão sediados na Irlanda, e alegam que o valor mensal bolsa de estudos não é suficiente para se manter. Custos . Na Irlanda, um litro de leite custa, no supermercado, cerca de  2,10. Trezentos gramas de frango saem por aproximadamente  8, e xampu e sabonete custam  6 e  3, respectivamente. “Gasto, em média,  240 por mês só com supermercado”, conta a estudante de ciências biológicas Miriane Fernandes Dutra, 28, aluna regular da Universidade Federal de Minas Gerais. Com os  60 restantes, ela e os outros estudantes ainda precisam arcar com custos como passagens de ônibus ( 2,60), além suprimentos para o frio, já que o inverno de lá é rigoroso. “Um bom casaco custa entre  50 e  60. Teremos que comprar essas coisas também, já que nossas roupas compradas no Brasil não aguentam o frio daqui”, conta ela. Com esse orçamento, o conforto acaba ficando prejudicado. “Estou sobrevivendo com uma alimentação pobre, e me privando de visitar museus e de ter uma vida social, como eu tinha no Brasil”, comenta Allyson. Miriane ainda não está totalmente sem dinheiro, pois, de acordo com o edital do Ciência Sem Fronteiras, antes de embarcar, os estudantes recebem uma quantia inicial referente a passagem, material didático, auxílio-instalação e três meses de bolsa de estudos adiantados. Mas os insumos estão próximos do fim. “Já estou usando o dinheiro que corresponderia à bolsa do mês que vem”, revela. Caso o auxílio-alimentação não seja depositado nos próximos dias, os estudantes deverão encontrar outros meios de se manter em um país cuja moeda ultrapassa os R$ 3. “O jeito vai ser pedir ajuda a minha família. Honestamente, não sei se correria risco de ter que voltar para o Brasil”, relata a estudante, que ainda tem cerca de um ano e três meses de intercâmbio pela frente. “Eu sou grata à Capes e ao governo pela oportunidade. Não poderia viajar se não fosse pelo Ciência Sem Fronteiras, mas não dá para passar dificuldade, passar por coisas que não passaria no Brasil”, lamenta Miriane.

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