Associação vai sugerir limite de participantes em eventos

Fato reacende a discussão sobre o uso do espaço público na capital

iG Minas Gerais | ALINE LOURENÇO |

CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Vandalismo. Após evento na praça da Liberdade no ano passado, moradores reclamaram de depredações
A Associação dos Amigos do Bairro Santa Tereza, na região Leste da capital, promete entregar hoje um ofício à Prefeitura de Belo Horizonte pedindo a limitação de eventos na praça Duque de Caxias, tombada pelo patrimônio histórico e cultural. O pedido reacende o embate entre lideranças comunitárias, moradores e produtores de eventos pelo direito de utilização dos espaços públicos na cidade para apresentações culturais e artísticas. O estopim para a insatisfação da entidade foi a realização, no último domingo, da Oktoberfest BH, tradicional festa alemã. “No dia seguinte, o bairro estava todo sujo, os jardins e o patrimônio foram depredados. Isso sem contar que as pessoas começaram a utilizar as ruas e os muros das casas como banheiro”, alegou Luiz Góes, 69, presidente da associação, que sugere uma capacidade máxima de 2.000 pessoas nos eventos. As reclamações são as mesmas feitas durante o Carnaval, em fevereiro deste ano. Na ocasião, 19 banheiros químicos foram instalados para um público de 20 mil foliões. “Os moradores não aguentam mais isso”, ressaltou Góes.Já a organização da Oktoberfest BH demonstrou surpresa com a mobilização da entidade, pois afirma não ter registrado nenhuma ocorrência de dano ao patrimônio e que a infraestrutura disponibilizada foi suficiente para receber a demanda estimada em 3.000 participantes. “Instalamos 40 banheiros químicos e os gramados foram cercados por grades. No dia seguinte, um caminhão-pipa fez toda a limpeza”, disse Aluizer Malab, um dos organizadores.A Regional Leste informou que o evento estava devidamente licenciado, mas não soube dizer quais foram as exigências em relação ao número de banheiros que deveriam ser instalados. A legislação municipal que regulamenta os eventos na cidade também não define qual deve ser a proporção entre esse tipo de estrutura e a quantidade de participantes nem o limite de pessoas nos espaços públicos. Impasse. A polêmica também ocorre em outras regiões da capital, como no bairro Mangabeiras. Em 2011, uma competição conhecida como Corrida Maluca, que reuniu cerca de 10 mil pessoas, mostrou o despreparo da cidade para receber eventos de grande porte.

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