Campeões do mundo

iG Minas Gerais |

Renato Leandro Santos Araujo/DIVULGAÇÃO
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Certa vez, passeando na internet, vi meu nome citado num site da torcida do Cruzeiro, em que um tal de Mundazul dizia: “Veremos agora se a Laura Medioli, mulher do Vittorio, gritará ‘Galo’ como ela costuma fazer em sua coluna”. Ao leitor que não está entendendo, explico: há sete anos, Vittorio foi convidado pela antiga administração municipal da cidade de Betim para, por meio de suas empresas, ser um dos patrocinadores do time de vôlei da cidade, recém-criado. O Grupo Sada, cujas empresas nasceram naquele município, entrou com verbas significativas para que o time se projetasse em nível nacional. Após um tempo, a prefeitura, que no início ajudava a mantê-lo, desistiu da empreitada. E, assim, o Grupo Sada, presidido por meu marido, assumiu sozinho a empreitada, não apenas mantendo uma equipe, mas todo um projeto esportista e social de vôlei. A partir daí, foram contratados novos profissionais, alguns provenientes de times do exterior, com destaque para as ligas do Japão, da Espanha e das melhores equipes do Brasil. O time, até então chamado de Sada Betim, ganhou força e se projetou, despontando como a revelação da temporada. Uma condição fundamental para um time que almeja conquistas é o ambiente de trabalho devidamente equipado com os melhores aparelhos de fisioterapia, musculação e treino, além de ambientes limpos e confortáveis. Isso requer manutenção constante de vestiários e academias. Pensando nisso, o Grupo Sada construiu num terreno da prefeitura – em parceria público-privada – um ginásio, construído totalmente com recursos próprios, sem qualquer tipo de ajuda pública. Em contrapartida, teria dez anos para tomar conta do local que construiu na medida das necessidades do time e, nas horas restantes, se encarregaria de formar jovens carentes através de escolinhas de vôlei, handebol, ginástica olímpica, dentre outros. Além de levar o nome da cidade de Betim de forma positiva a todo o país e do importante trabalho social, também se responsabilizaria pela manutenção e pela segurança do próprio ginásio que carrega o nome de meu sogro, Riccardo Medioli. Pois bem, para resumir essa história, a prefeitura recém-empossada na época, composta por velhos desafetos do grupo político ao qual pertencia meu marido, cismou e obstruiu o ginásio, inclusive ameaçando entrar na Justiça caso o ginásio – que o Grupo Sada construiu sozinho e com recursos próprios, como gosto de ressaltar – viesse a ser o centro de treinamento da equipe. Esse quiproquó rendeu pano pra manga e manobras deploráveis na Câmara dos Vereadores. Sem podermos mais esperar, num clima de insegurança, sem ao menos imaginar o que aconteceria, tivemos, com tristeza, que nos mudar da cidade cuja torcida maravilhosa tanto nos prestigiou. Com a notícia de nossa mudança, choveram propostas de todos os cantos, vários municípios abriram suas portas, dispostos inclusive a construir ou reformar ginásios para oferecer ao time. Até de Rio de Janeiro e Curitiba vieram convites. Afinal, que prefeitura em sã consciência não gostaria de ter um time de vôlei dessa estatura, projetando o nome de sua cidade em nível nacional? Que prefeitura deixaria de cumprir uma parceria público-privada na qual o investidor – Sada Vôlei – já tinha bancado 100% das obras? Pois é. A vocês, leitores, acostumados com minhas crônicas despretensiosas, sei que essa história não desperta muito interesse, mas faço questão de explicá-la desde o início para que entendam o caso. Ao analisar as propostas, Vittorio e meu cunhado Alberto optaram pela parceria com o Cruzeiro Esporte Clube. Time pelo qual meu marido torce desde quando chegou ao Brasil há 37 anos, sendo inclusive um de seus conselheiros. A partir daí, o Cruzeiro nos cedeu um espaço no Barro Preto para construir nosso centro de treinamento, nos disponibilizou o site do clube para divulgação de eventos, dentre outras importantes ações de marketing. Somos totalmente autônomos para administrar e manter o time e, em contrapartida, recebemos o apoio imensurável de sua torcida, principalmente na cidade de Contagem, cuja prefeitura nos disponibiliza o ginásio poliesportivo onde é realizada a maioria de nossos jogos. Para nós, é uma honra ter uma parceria com um time da grandeza do Cruzeiro. Confesso que no início preferiria que fosse com o Atlético, meu time de coração e tão grande quanto. Na época tentei opinar, mas fui voto vencido. E, respondendo à pergunta do Mundazul, afirmo que durante os jogos do atual Sada Cruzeiro não grito “Galo” e torço feito uma maluca por esse time de vôlei que vi nascer e que tem uma grande responsabilidade, muita garra e vontade de vencer, sem nunca ter perdido a humildade. Um time de vôlei que, em apenas sete anos, conquistou quatro títulos mineiros, foi campeão da Superliga Nacional, campeão sul-americano e agora, no último domingo, sagrou-se campeão do mundo, o primeiro conquistado por uma equipe brasileira de voleibol. Parabéns aos membros de nossa diretoria, comissão técnica, ao Marcelo Mendez – nosso competentíssimo técnico –, ao Cruzeiro Esporte Clube e à sua fiel torcida. Mas, acima de tudo, parabenizo os nossos atletas, os “guerreiros da quadra” que tenho o privilégio de acompanhar de perto, ser amiga pessoal e admiradora inconteste. A esses jovens “meninos”, de mais ou menos dois metros de altura, o meu muito obrigada pela alegria que nos proporcionam!!!

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