Rememoremos o passado para que possamos forjar o futuro

2014 lembra 1982, quando Tancredo foi eleito governador

iG Minas Gerais |

Devo estar atacado de algum medo não identificado. E isso não é bom. Mas o ano de 2014 – quando ocorrerão eleições à Presidência da República, ao Senado, à Câmara Federal, às Assembleias Legislativas e aos governos estaduais – me lembra o ano de 1982, quando Tancredo Neves foi eleito governador de Minas. Tancredo sucedeu Francelino Pereira – o último governador indicado pelo então “sistema” militar. Você, leitor, pode achar que não há nenhuma semelhança entre esses dois anos, nem entre as duas eleições. Espero, porém, que, ao fim destas preocupantes linhas, a identifique e, então, compreenda a razão por que volto ao passado preocupado com o futuro. Vivemos hoje período importante (e crucial) da nossa história. A preocupação com nosso futuro próximo deveria ocupar a mente de todos aqueles que de fato prezam a liberdade como o bem supremo do ser humano – um bem que não pode sequer ser objeto de discussão, a não ser no sentido de resguardá-la e respeitá-la sempre mais. Ao contrário, por exemplo, do que querem os músicos Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Milton Nascimento etc., que, lamentavelmente, e para tristeza dos que os admiram, como eu, propõem impedir o direito à liberdade de expressão. São eles – os nossos ídolos do passado – também detonadores dessa minha (paranoica e inútil?) preocupação. Queiram ou não, com o que vêm afirmando sobre biografias e biógrafos, tornaram-se censores ou, então, simples instrumentos do projeto autoritário do PT. Tancredo disputou o governo com Eliseu Resende, financeiramente bem- apoiado, mas, sobretudo, fortemente amparado pelo sistema militar a que me referi acima. Ocorreu, na oportunidade, a reedição da disputa entre Davi e Golias. Eliseu (o Golias), um professor laureado e um técnico reconhecidamente competente (já disse isso aqui mais de uma vez), tinha tudo para ser um bom governador, mas aquele não era o momento de se arriscar nada em termos institucionais. Naquela ocasião, qualquer concessão poderia ser fatal. A eleição de Eliseu Resende para o governo de Minas poderia representar a continuação de um regime – prestes a completar 20 anos – que precisava ser posto abaixo o quanto antes. Já a eleição de Tancredo (o Davi), ao contrário, era o caminho aberto, em Minas, para a redemocratização do Brasil, com eleição direta para todos os cargos. A eleição de Tancredo era a redenção do Brasil, como depois demonstrou a história. Era a vitória da fé na liberdade. Na consolidação do Estado democrático de direito. Representava um passo indispensável ao encerramento daquele ciclo macabro, que chamo acima de militar, mas que foi, na verdade, civil/militar, de vez que contou com o apoio irrestrito de poderosas lideranças civis, entre políticos e empresários. Como se viu, era o fim da castração política e intelectual. Mineiros e paulistas poderão ser cobrados amanhã se não se unirem, em 2014, para botar abaixo 12 anos de mando de um partido que deixou a prática da ética na política para se preocupar, periodicamente, com a implantação do seu projeto autoritário de poder. Que tem no controle da mídia o seu primeiro e grande passo. O “sistema” a ser posto abaixo hoje é o que o PT deseja impor ao país. Queiram ou não, o destino da nossa frágil democracia passa por Minas Gerais e São Paulo. Pelas mãos de José Serra e Aécio Neves.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave