Mãe à moda antiga

Ícone da televisão brasileira, jornalista Glória Maria falou à SuperTV sobre sua relação com as filhas adotivas, que não podem assistir à TV

iG Minas Gerais | Por RENATO LOMBARDI |

Matheus Cabral/ TV Globo
Apresentadora fala com exclusividade para a revista Super TV
No ano de 2008, Glória Maria tomou uma decisão que mudou radicalmente sua vida. Após dez anos apresentando o “Fantástico”, a jornalista pediu para se desligar do programa, além de uma licença de dois anos para descansar e se dedicar aos próprios projetos. Ficou longe da televisão por dois anos e, nesse período, sua vida pessoal sofreu uma grande mudança. Glória, que não teve filhos biológicos, adotou em Salvador, na Bahia, duas meninas que conheceu durante uma visita à Organização de Auxílio Fraterno (OAF), em 2009. Mesmo de volta à Globo, na equipe do “Globo Repórter”, a jornalista, que foi a primeira repórter negra da televisão brasileira, revelou à SuperTV só ter olhos para as filhas Maria, de 5 anos, e Laura, de 4. Além disso, ela contou que se considera uma mãe à moda antiga e que não deixa as meninas assistirem à televisão. Confira a entrevista completa abaixo. Ultimamente o “Globo Repórter” tem diversificado os temas do programa. Tem dedo seu nessa mudança? Não, isso é obra da diretora Silvia Sayão. O “Globo Repórter” tem uma equipe maravilhosa, que sempre pensa e repensa o programa. É claro que quando chega um sangue novo, há um novo olhar para o projeto. Mas não acho que o “Globo Repórter” está com uma pegada diferente. Para mim, ele está caminhando como sempre caminhou, com os olhos bem abertos. E o que pinta para fazer, a gente faz. Você também é conhecida pelas reportagens que faz durante suas viagens. Viajar sempre a trabalho é também uma opção sua? Eu adoro as viagens que eu faço. Porque, se não fosse isso, eu não vivia. Por isso nunca deixo de viajar, mesmo que a trabalho. Na sua carreira você já fez muitas matérias em locais que oferecem risco, como o Himalaia, onde você esteve recentemente. Hoje você fica receosa em fazer esse tipo de trabalho, principalmente por causa de suas filhas? Ninguém morre de véspera. Não adianta você ter medo porque as coisas acontecem quando tem que acontecer. Claro que eu tenho uma preocupação maior por causa das minhas filhas Maria, de 5 anos, e Laura, de 4. Mas meu trabalho nunca será um risco para mim. Risco hoje em dia é você andar na rua sozinha. Não é que eu seja corajosa, mas eu não penso no medo. Mas elas têm noção do que a mãe delas faz? Elas sabem que eu sou jornalista e que trabalho no “Globo Repórter”. Mas ainda não sabem o que isso significa, pois elas não assistem à televisão, nem canal infantil. Maria e Laura são muito pequenas para isso. Eu, como fui muito pobre, não tive televisão em casa, mas tive uma infância maravilhosa. Então, quero que minhas filhas tenham algo parecido. Elas têm que sonhar, ter fantasias, brincar de princesa, se sujar. Eu não quero que minhas filhas fiquem passivas diante da televisão. Quero que elas vão buscar conhecimento, informação, criatividade. É muito fácil você pegar um filho, colocar na frente da televisão e acreditar que ele está sendo educado. Eu não tive isso, eu não quero isso para minhas filhas. Enquanto elas puderem ser crianças, eu quero que elas sejam. Por que você optou por ser mãe agora? Eu acho que optei por ser mãe mais velha exatamente para poder me dedicar às minhas filhas. As meninas participam de tudo, as coisas que eu faço é pensando se elas podem fazer também. Até no trabalho é assim. Se eu posso levar comigo nas viagens, tudo bem. Mas se tem alguma coisa importante na escola, por exemplo, eu não vou. As coisas se inverteram em minha vida. Durante 30 anos, minha prioridade foi o trabalho. De agora até o resto de minha vida, minha prioridade serão elas. Eu não quero ser uma mãe moderna, eu sou uma mãe à moda antiga, que participa da vida dos filhos. Eu sou mãe de verdade. Você tem medo de que suas filhas queiram, algum dia, conhecer as famílias biológicas? Acredito que mãe é quem dá amor. Mas a hora que elas quiserem conhecer, elas vão ter o direito. A vida é delas e acho que não posso privá-las disso. Isso não me preocupa, pelo menos por enquanto. Talvez quando elas chegarem à adolescência isso mude. Mas estou muito segura do carinho que eu tenho por elas e elas por mim.

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