Obra de Portinari restaurada

Casa Fiat de Cultura revitaliza o maior quadro de Portinari em Minas Gerais, localizado no Palácio dos Despachos

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
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Poucas pessoas conhecem, mas o quadro “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, está no hall de entrada do Palácio dos Despachos desde 1967. Como o lugar concentrou por muitos anos atividades estritamente governamentais, como anexo da sede do governo estadual, a obra raramente recebia visitas. Um cenário que tende a mudar com a transferência da Casa Fiat de Cultural para o prédio onde funciona o palácio. A instituição dará continuidade às exposições que promove, mas, no momento, concentra-se na restauração da obra do pintor modernista que estava prestes a ser corroída por insetos. “A situação era de um momento limite para a realização deste trabalho, pois os cupins estavam quase chegando na tela”, revela a responsável pela restauração, Rosangela Reis Costa. Graças à iniciativa da Casa Fiat de Cultura, que deu início à restauração do quadro como primeiro passo de intervenção da fundação no espaço, a tela não chegou a ser danificada. “Preservar e valorizar o patrimônio faz parte da filosofia da instituição. Neste caso, é ainda uma oportunidade de oferecer ao público esta obra tão significativa para a identidade cultural dos mineiros”, comenta a gestora cultural da Casa Fiat, Ana Vilela. O quadro, de fato, representa Minas Gerais por mostrar a evolução da sociedade mineira ao retratar as diferenças entre duas cidades. Do lado esquerdo, está representada Ouro Preto com suas igrejas e telhados e, do outro lado, a moderna Belo Horizonte com fiações elétricas e construções. Criado em 1959, no Rio de Janeiro, o quadro foi encomendado para decorar o antigo Banco Agrícola Hipotecário de Minas Gerais e levou apenas dois meses para ficar pronto. Desde então, a obra passou por vários locais até chegar ao Palácio dos Despachos, há 46 anos. Durante esse período, a pintura passou por um processo de restauração há dez anos. Mas, segundo os especialistas, não da forma adequada. “Na verdade, o ideal é que uma pintura nunca seja restaurada, mas sim preservada por meio de cuidados específicos como limpeza correta e impermeabilização. É igual cuidar da sua casa, você precisa de um olhar constante”, diz Rosangela. A restauração do quadro, que tem 2,4 metros de altura por 8,14 metros de comprimento, teve as pesquisas iniciais realizadas no início do ano e já passa por sua fase intermediária. A finalização do processo está prevista ainda este ano. Já a data de inauguração da Casa Fiat de Cultura em sua nova sede acontecerá apenas no próximo ano. “Esperamos abrir no período da Copa do Mundo de 2014, mas a programação e datas ainda não foram definidas”, afirma Ana. O processo. Para restaurar um quadro é necessário mais que cuidado e conhecimento por parte da equipe. É preciso seguir rigorosamente passos que garantam que a essência da obra não será comprometida. O processo de restauração de “Civilização Mineira” começou com uma pesquisa feita por historiadores que levantaram a documentação sobre a obra. Depois disso, foram concluídas etapas que envolvem estudos químicos. Atualmente, o quadro passa pelo processo de desmontagem e limpeza que precede a última etapa na qual serão entregues um relatório e normas de conservação. “É preciso ter muito cuidado não só com a parte técnica, mas também com os desejos do artista para que a obra não sofra interferências de identidade. Portinari, por exemplo, não gotava de molduras”, conta Rosangela.

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