Disco retrata visão do músico sobre a condição humana

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

Músico retrata certo desgosto com mundo atual em novas canções
“Condição Humana”, disco lançado por Guilherme Arantes em abril, que ele leva ao palco do Sesc Palladium hoje, tem título e subtítulo (“Sobre os Tempos”) emblemáticos para um artista que, aos 60 anos, tem repousado sua inspiração em grandes temas, como a passagem do tempo e em como isso o afeta. Mais do que isso, Arantes parece preocupado com algo que sempre foi atrelado fortemente a ele – e a todos hitmakers –, uma imagem. “Esse disco marca uma vontade ser eternamente jovem. E só há um jeito de permanecer jovem, que é assumir o vintage, a ruga a experiência, o escracho da idade. Porque o tempo dá uma escrachada na imagem da pessoa. O disco aceita isso, a capa me apresenta sem nenhum retoque, sem vontade de esconder a natureza do tempo”, assume. Musicalmente essa postura se reflete no disco, pautado por uma sonoridade mais crua, mais solta, com destaque para a guitarra do lendário Luiz Carlini, que também toca no show. “É um disco mais direto, mais seminal, mais chapado”, ilustra. Essa volta ao início, para Arantes é manobra transgressora. “Vivemos um tempo de rebeldias fake, onde o próprio comportamento humano está digital, cheio de compressores, de plugins, uma sociedade movida por gadgets”, metaforiza. A fala agora é de um Guilherme Arantes rebelde que não se engana com o mundo politicamente correto. “As letras do disco refletem isso. É um mundo fácil, de falsa riqueza, falsa gratificação, onde todos estão muito vitaminados nos corpos, mas não existe uma transgressão real estética. No fundo, a gente vê a crise da Santíssima Trindade: o poder público, as corporações e a religião, que acabam permeando todo o comportamento humano, estão em crise”. Ele segue citando características desabonadoras do contemporâneo, da classe média inculta à ascensão da música sertaneja. Mas o espaço é curto para elencar todas as críticas do músico – a arte é longa, a vida é breve – e Arantes quer também celebrar o momento em que muitos jovens vêm ao seu encontro, o reverenciando. “Nelson Motta me convidou para um show do (músico capixaba) Silva, considerado por muitos como um ‘Guilherme Arantes do século 21’. Ficam loucos para inventar um novo Arantes e isso me deixa assustado, aterrado, já que estou vivo ainda e tendo capacidades criativas”, revela. A resposta para essa questão está na canção “Onde Estava Você” do novo disco, que fala dos sonhos da juventude, de amigos que o deixaram esquecido na “areia do deserto” e que o forçaram, sozinho, a “reconstruir seu chão”. E, numa ação carregada de simbolismos, reuniu justamente músicos da nova geração para fazer o coro da faixa. Nomes como Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, e Adriano Cintra foram acolhidos paternalmente por ele. “Não é tributo”, diferencia. “É uma reunião, queria incorporar essa gente toda, que está chegando aos 30 anos, uma ajuda de pai, repassando um conselho que está na canção”. Agenda O QUÊ. Guilherme Arantes QUANDO. Hoje, às 21h ONDE. Grande Teatro do Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro) QUANTO. De R$ 35 a R$ 120

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