A genialidade de Kubrick

Exposição em homenagem ao cineasta nova-iorquino aberta na Mostra de São Paulo pode ser vista até janeiro

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo Enviada especial |

Vicente Gil
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O nova-iorquino Stanley Kubrick (1928 - 1999) exerceu ao longo de sua carreira o papel de fotógrafo, roteirista, produtor e diretor. Reconhecido por uma série de técnicas que renovaram a linguagem do cinema, ele é o grande homenageado da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. São Paulo. Na programação, que se estende até o dia 31, estão 15 filmes feitos por ele. Uma oportunidade única de assistir na sala escura, com qualidade impecável de áudio e vídeo, clássicos absolutos como “Dr. Fantástico”, “O Grande Golpe”, “O Iluminado”, “Laranja Mecânica” e “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Por aqui, não são poucos os cinéfilos que preferiram ver e rever Kubrick a descobrir novos realizadores. Realizada em parceria com a Mostra, a exposição “Stanley Kubrick” permite ao espectador desvendar o olhar único do diretor no Museu da Imagem e do Som (MIS), até o dia 12 de janeiro de 2014. Imperdível, a exposição acontece pela primeira vez na América Latina, reunindo em 16 salas temáticas centenas de objetos de cena, fotografias, cartas, roteiros originais, projeções, maquetes e o único Oscar da trajetória do cineasta na categoria efeitos especiais por “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Ao visitante, a dica é ter paciência com a fila quilométrica que se forma, especialmente aos fins de semana. A espera pode chegar a uma hora, mas vale. Logo na entrada, uma exibição de fotografias mostra o jovem Kubrick em ação. Elas foram produzidas entre 1945 e 1950. No ano seguinte, o diretor filmou seus primeiros documentários: “Dia da Luta” e “O Padre Voador”. O primeiro longa, “Medo de Desejo”, de 1953, também marca o primeiro filme com a temática da guerra, que ressurgiria nos brilhantes “Glória Feita de Sangue” (1957) e “Nascido para Matar” (1987). As salas são impressionantes. Nesta última, é possível deitar no beliche dos soldados e assistir a vídeos com entrevistas e featurretes. Reconstituída com esmero, “Stanley Kubrick” impressiona em ao menos três salas: a dos filmes “2001: Uma Odisseia no Espaço”, “O Iluminado” e “Laranja Mecânica”. No ambiente da ficção científica de 1968, o visitante entra numa espécie de cápsula e acompanha toda a construção da obra-prima. Há croquis com os figurinos, trajes – dos macacos e astronautas – e diversos estudos que mostram a precisão do realizador e de sua equipe. Já em “O Iluminado” (1980), existe um aviso na porta não recomendando o acesso de pessoas sensíveis à sala. De repente, o corredor do hotel Overlook se apresenta com portas dos quartos esperando para serem abertas. Ali estão as roupas da gêmeas assustadoras, a faca utilizada pela atriz Shelley Duvall e o machado que era a arma de Jack Nicholson. O susto só não é possível porque o público, especialmente jovem, faz questão de fotografar tudo com seus celulares, “esquecendo-se” das portas abertas e estragando as surpresas. Outro destaque é O leite-bar Korova de “Laranja Mecânica” (1971), inteiramente reproduzido na mostra. A jornalista viajou a convite da Mostra de São Paulo. 

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