Indiciados se contradizem

Trio nega saber que mãe biológica usou documentos de advogada que receberia criança

iG Minas Gerais | dayse resende |

Nelson Batista
Audiência foi promovida no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Betim
Três dos seis indiciados pela Polícia Civil por tráfico de bebê no Hospital Regional de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, falaram pela primeira vez publicamente nesta quinta-feira (24), durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas na Câmara dos Deputados. Eliane Azzi, suspeita de intermediar a entrega do bebê, seu marido, Alexandre Azzi, e a irmã de Eliane, a ex-funcionária pública Cláudia Gianni negaram o envolvimento em todos os crimes, inclusive o de falsidade ideológica. A versão não convenceu o delegado Tito Barichello, responsável pelas investigações. “Houve o pagamento indireto pela criança através do custeio das despesas da gestante”, disse o policial. Aos deputados, os três afirmaram que não sabiam que a mãe biológica da criança, Janaína Carvalho, estava usando documentos de Selena Castiel, advogada de Rondônia que iria receber a criança, na hora do parto. “Jamais houve tráfico de criança, apenas a oportunidade de poder ajudar alguém a adotar um filho, como um dia eu adotei. Apesar de saber que Janaína ia entrar no hospital com o nome de Selena, eu não sugeri falsificação de documentos. O acordo foi entre Janaína e Selena”, disse Eliane. Já Alexandre – citado como “intermediário” na negociação da criança pelo presidente da CPI, o deputado federal Arnaldo Jordy – disse que seu papel no caso foi prestar esclarecimentos para Selena sobre o interesse de Janaína em doar o filho. Ele também negou que soubesse da falsificação do documento de Janaína, mas confirmou que Selena pagou as despesas de Janaína enquanto ela estava grávida e ficou hospedada na capital. “Depois da conversa que eu e Eliane tivemos com Janaína, saí de cena. Apesar de saber que ela havia se mudado para Belo Horizonte e que estava sendo mantida pela Selena, com o apoio da minha esposa, eu não sabia da falsificação da identidade. Imaginei que a Janaína teria o filho em nome dela e, depois, a Selena pediria a guarda provisória da criança”. Ex-servidora . Cláudia, indiciada por tentar usar do cargo que ocupava para facilitar a saída da criança do hospital, também disse que, apesar de saber que Janaína estava morando em Belo Horizonte, não estava ciente de que ela iria entrar na unidade com o nome de Selena. “Minha irmã me pediu ajuda para chegar à maternidade pública, mas ela se perdeu e fomos ao Regional. Lá, enquanto Janaína entrou no banheiro com a minha irmã, eu fiz a ficha dela. Só soube da falsificação quando vi que o nome da Selena na ficha”.

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