Crime pode ser vingança por serviço pago e não executado

Traficantes teriam dado R$ 4.000 por defesa não efetuada; dois suspeitos teriam sido identificados

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

RICARDO MALLACO
Corpo de advogado foi enterrado na tarde de ontem
A Polícia Civil investiga a hipótese de que o advogado Jayme Eulálio de Oliveira, 37, pode ter sido assassinado por traficantes, os mesmos que teriam roubado armas de uma unidade da Polícia Militar de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ontem, um membro da Ordem dos Advogados do Brasil de Minas (OAB-MG) informou à reportagem de O TEMPO ter recebido a informação de que a morte está ligada a uma vingança. Oliveira teria recebido R$ 4.000 de traficantes para defendê-los em uma causa judicial, mas não teria cumprido o combinado. Diferentes fontes da Polícia Civil confirmam que esses dois fatos podem ter ligação com o crime e estão entre as principais linhas de investigação. Informações extra-oficiais dão conta ainda de que as armas teriam sido encontradas na noite de terça-feira, em Vespasiano. Dois suspeitos teriam sido identificados. Crime e apuração . O advogado foi morto na noite de anteontem, ao chegar em casa, no bairro Castelo, na Pampulha. Ele foi atingido por cerca de 40 tiros de fuzil 556 e de pistola .40, os mesmos modelos levados do posto policial de Vespasiano. O grosso calibre das armas, pouco utilizadas em crimes passionais ou roubos, reforça as suspeitas levantadas de que o crime esteja ligado a facções criminosas e ao tráfico. Ontem, uma equipe da delegacia da região Noroeste, que assumiu o inquérito, foi ao bairro Morro Alto, em Vespasiano, atrás dos suspeitos, que seriam traficantes. Fontes da Polícia Civil informaram que eles seriam os mesmos que levaram, há uma semana, seis armas da 180ª Companhia do 36° Batalhão da Polícia Militar. Na ocasião, cinco militares foram afastados suspeitos de envolvimento no esquema. A polícia investiga a ligação entre os dois crimes. Ainda segundo uma pessoa próxima à vítima, que pediu anonimato, Oliveira tinha muitos clientes em Vespasiano, mas ela não acredita na hipótese dos R$ 4.000. Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MG, William Santos, disse que um membro da comissão contou que Oliveira teria recebido o dinheiro de um grupo de traficantes que estava preso. Ele seria o pagamento para que o advogado entrasse com um recurso (ele não soube dizer de que tipo). Porém, Oliveira não teria entrado com a ação e foi executado a mando dos criminosos. O chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Wagner Pinto, confirmou que a linha mais cogitada está ligada à profissão dele. (Com Jhonny Cazetta e José Vitor Camilo)

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