A leveza do gordinho

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Nos últimos anos, não perdi uma partida do Barcelona, pelo futebol bonito e eficiente e pela simpatia que tenho pela cidade e pelo clube, apesar do atual presidente, Sandro Rosell, ser parceiro de Ricardo Teixeira. Barcelona é uma cidade que suspira criatividade e ousadia. Hoje, não perco também uma partida do Bayern de Munique, por ser o melhor time do mundo e ter um treinador que foge do lugar-comum. Além disso, Guardiola não é presunçoso nem orgulhoso, ao unir o estilo do time campeão do ano passado com muita velocidade na troca de passes, muita vibração e gols em jogadas aéreas, com o estilo que gosta, de posse de bola, de troca curta de passes, desde o goleiro. Neuer não é um Rogério Ceni, mas já aprendeu a jogar com os pés. Muitos profissionais, de todas as áreas, são incapazes, por soberba e/ou corporativismo, de reconhecer e aprender com o que não é espelho. Outra mudança feita por Guardiola foi colocar um volante e um armador de cada lado, com funções defensivas e ofensivas, em vez de dois volantes em linha e um meia de ligação. Discordo apenas quando o técnico escala o lateral-direito Lahm como volante. Ele é o melhor lateral-direito do mundo, pois é o único excepcional, na marcação e no apoio. Muitos dos gols do Bayern saem de cruzamentos do lateral. Pulo para o Brasileirão. No domingo, deixei de lado todos os outros jogos das 16h para ver somente o Grenal. Um dos motivos foi o convite do jornal “Zero Hora” para escrever uma coluna, após a partida, sobre o jogo. Diferentemente do que se costuma dizer, que Grenal é feio e excessivamente pegado, foi um ótimo jogo, de boa técnica, quatro gols e também de muita marcação. Assim deve ser o futebol. O São Paulo melhorou. Muricy colocou os jogadores nos lugares certos. Rodrigo Caio, um volante com um passe apenas razoável, se destaca como zagueiro, pela ótima saída de bola. Piazza, na Copa de 1970, que tinha um bom passe de volante, tornou-se excepcional nesse fundamento, como zagueiro. David Luiz e Thiago Silva, talvez os zagueiros com melhor passe no mundo, mostraram um passe comum quando atuaram de volante. As necessidades e expectativas são diferentes nas duas posições. Uma das atrações do Brasileirão é o gordinho Walter. Ele contraria a ciência médica esportiva e as leis da física. O corpo é pesado, mas o futebol é leve. Walter desliza pelo gramado, com enorme leveza. Faz gols, dá excelentes passes, se movimenta por todo ataque. Tem muito equilíbrio e raramente cai. Além das virtudes técnicas, o gordinho Walter e outros veteranos brilham intensamente no campeonato porque, na média, é medíocre a qualidade individual. O bem-vindo Bom Senso F.C. precisa conversar com quem manda no calendário, a TV Globo. Momento ruim Contra o Coritiba, o Cruzeiro fez a quarta partida seguida ruim, em relação ao que jogava. A que atuou pior venceu, contra o Fluminense. Entre tantas teorias para explicar a queda do time, a mais simples e a que mais me convence é que o Cruzeiro é muito bom, principalmente na parte coletiva, mas não é nenhuma maravilha nem muito superior aos outros. Daí o risco normal de perder algumas partidas. O surpreendente foi ganhar 11 em 12 jogos. Está na hora de Cuca ter uma conversa dura com Neto Berola. O Brasil todo, com muita razão, o critica e o ridiculariza, pela simulação ostensiva para cavar pênaltis. Com isso, suas qualidades são desvalorizadas.

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