Mentiras nobres

iG Minas Gerais |

A mentira não é propriedade apenas dos mentirosos. Platão admite e fala sobre a existência da “mentira nobre”. Alguns filósofos entendem que a mentira, quando tem fim necessário, deve ser permitida e bem-aceita. Você, leitor, imagina a vida sem o “escape” da mentira? A verdade – que, nos dias atuais, passou a ser virtude – nunca foi unanimidade, sempre gerou controvérsia. No Brasil, nós não vivemos uma mentira nobre, mentimos por necessidade orgânica ou existencial, temos mania de mentir e de gostar de mentiras. Devemos esse nosso “modus vivendi” a nossos políticos, com raríssimas exceções, uns mentirosos de mão-cheia... Todavia, reconheço que somos também um povo de entendimento complacente e amoroso por formação. Antigamente, se você chamasse alguém de mentiroso, era ofensa grave; hoje, nem tanto. Por exemplo: o petróleo é nosso. É nada... Essa discussão fica para depois, assim como, também, a fala de dona Dilma, em discurso em Porto Alegre sobre meninos e cachorros. Eu disse fala? Engano, melhor dizer, “alucinação...”. Mas, afinal, por que eu estou falando de mentiras e mentirosos, quando existe tanta coisa importante acontecendo ou deixando de acontecer nos altos escalões da República? Porque sei que nosso governo é mentiroso, nossas autoridades são em geral mentirosas, e não é só o ex-Luiz ou a morfológica presidenta de agora. FHC mente sociologicamente, e Sarney já mentiu tanto que foi parar na Academia Brasileira de Letras, lugar de sábios visionários. Todos os mensaleiros dizem que são vítimas de mentirosos, e alguns ministros do Supremo acreditaram neles e os absolveram. E você? Acredita que os ministros acreditaram mesmo na inocência deles ou votaram por conveniência ou mesmo paixão, que é um sentimento que o juiz não pode ter para decidir nos autos? Esse caso dos mensaleiros já me causou raiva e tanta decepção que jurei nunca mais falar nisso por entender que persistir é gastar vela em defunto ruim. Diz a nossa Constituição que todos nós somos iguais perante a lei. Mentira. Se todos nós somos iguais, por que uns são julgados pelo Supremo e outros pela Justiça comum? E as cotas? De pau pra cavaco: O Congresso Nacional, na onda do modernismo e da igualdade de sexos, como se vivêssemos na era dos “lobysomens”, está criando uma legislação maluca que garante às mães ou à maternidade os mesmos direitos e competências da paternidade. Assim, a mãe passa a ter competência ou direito de registrar um filho mesmo sem conhecimento ou acordo do pai. Essa será certamente a maior fonte de mentiras já criada pelos incansáveis legisladores brasileiros. Por que o legislador ordinário concedeu essa competência só à paternidade? Simples: a maternidade é provada, e a paternidade é presumida. Em um casal de veados, que, por modismo, pode adotar filhos, quem é pai ou mãe? Quem tem competência para registrar? O juiz, presumo. E isso não é uma mentira? Pois é...

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