Sozinhos, ABS e airbag não fazem verão

iG Minas Gerais |

general motors/divulgação
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A invasão dos carros chineses não passou, ainda, de uma promessa que parece distante no horizonte. O “pacote completo” continua sendo o maior apelo comercial para convencer o potencial comprador, mas algumas considerações precisam ser feitas antes da escolha de um “made in China”. Como a legislação brasileira não exige dos fabricantes, nem dos importadores de automóveis, de testes de impacto (frontal, lateral e traseiro), conhecidos como “crash-tests”, os chineses desembarcam por aqui apenas com certificação de laboratório local, que, evidentemente, não contam com a tradição e nem a experiência dos correspondentes ocidentais. Ou seja, não correspondem aos exigentes padrões de segurança do EuroNCAP ou IHS, respectivamente, entidades ligadas à segurança veicular da Europa e dos Estados Unidos. São essas provas que determinam a capacidade de absorção e deformação da carroceria em um acidente, e as consequências que sofrem os ocupantes. Exibir a comprovação de que o veículo é de fato seguro, com testes de impacto feitos por um instituto reconhecido mundialmente, irá agregar ainda mais valor a esses automóveis. Afinal, não basta ter no pacote de equipamentos os airbags (bolsas de ar infláveis) e o freio ABS, com sistema eletrônico que não bloqueia as rodas, se esses itens não foram testados, efetivamente, em uma simulação prática que tenha tido a inspeção de órgão de altíssima credibilidade como o europeu e o norte-americano. Os chineses, em busca da trilha do carro ideal, precisam provar que seus produtos foram exaustivamente testados e, no caso de um acidente de maiores proporções, motorista e passageiros precisam estar seguros dentro do habitáculo. Segurança ativa e passiva são itens fundamentais para o sucesso de um produto. De que adianta a bolsa de ar inflável (airbag) abrir no momento de uma colisão dianteira, por exemplo, se parte do motor invadir o habitáculo? Para evitar uma situação assim, a célula de sobrevivência deve estar preparada para receber as deformações causadas pelo impacto. Não custa lembrar que há na China quase uma centena de fabricantes e marcas, muitas de fundo de quintal, como existem também grandes indústrias multinacionais, tradicionais fabricantes do ocidente que se associam ao governo local para produção de automóveis no maior mercado consumidor do mundo. A Chery e a JAC Motors já confirmaram fábricas no Brasil, a primeira em Jacareí, no interior de São Paulo e a segunda, apesar de ter anunciado o investimento de US$ 600 milhões, ainda não definiu o Estado onde será erguida a planta industrial. Além da certificação por um laboratório de alta confiabilidade em segurança veicular, há outra prova pela qual os chineses deverão passar e apenas com o tempo será possível conhecer o resultado: a durabilidade de seus componentes e a qualidade da assistência técnica de sua rede de concessionários, através da reposição de peças. Em se tratando de China tudo ainda é uma incógnita, mas nas décadas de 60 e 70 os japoneses da Honda e os coreanos da Hyundai e da Kia ainda engatinhavam no mundo das quatro rodas, longe da potência que hoje exibem.

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