Metade dos consumidores já comprou algo que não usou

Pesquisa do SPC mostra que ‘autoagrado’ e status contribuem para ritmo intenso de compras

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo / cristina moreno de castro |

RODRIGO CLEMENTE / O TEMPO 18/12
Templo de consumo. Muitos brasileiros admitem ter comprado um presente bem maior que seu orçamento, apenas para impressionar
“Sou quase uma centopeia”. A comparação bem-humorada é da gerente comercial Silvana Gomes, que é apaixonada por sapatos e adquire, no mínimo, um novo por mês. O último foi comprado em setembro e ainda não foi usado – mas hoje mesmo ela tinha planos de comprar mais um par.   Silvana não é exceção entre os consumidores brasileiros – ao contrário, está com a maioria. É o que indica uma pesquisa inédita, feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que foi divulgada ontem. Segundo o levantamento, quase metade dos consumidores brasileiros – mais precisamente, 47% dos entrevistados – já pagou por algum produto que nunca usou, movidos por um impulso ou paixão. O estudo aponta ainda uma tendência do brasileiro em recorrer ao consumo como forma de satisfazer suas vontades pessoais. Tanto que 59% já compraram algo pensando “eu mereço”, mesmo sem ter dinheiro para arcar com o produto. Além disso, segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados assumem que, antes mesmo de receber o salário, já pensam nas “comprinhas” que farão no mês seguinte (veja o quadro). Questão de Imagem. Outra razão que explica o comportamento dos consumidores – esta, bem menos nobre – é a tendência que os brasileiros têm de se preocupar com a imagem que transmitem a seus amigos e parentes. Alguns dados do estudo reforçam essa tese: 21% dos entrevistados disseram que costumam acompanhar familiares ou amigos a lugares que extrapolam seu próprio orçamento apenas para “não fazer feio”. Além disso, um terço dos entrevistados confessou que já deu um presente muito acima de seu orçamento, só para impressionar o presenteado. E 43%, quando compram um produto recém-lançado no mercado – como aqueles que ficam dias acampados à espera dos novos lançamentos da Apple ou Samsung – fazem questão de exibir a novidade aos amigos. Para Flávio Borges, gerente financeiro do SPC Brasil, a consequência em alguns desses casos é o endividamento. “Várias das conclusões do estudo reforçam a constatação de que o brasileiro tem satisfação em gastar o seu salário logo que recebe. Com uma visão mais imediatista para a realização de seus sonhos e desejos, ele acaba pagando a mais em forma de juros embutidos nos financiamentos. Isso explica o fato de o Brasil ser um dos países que menos poupam no mundo”. Essencial. Mas o estudo também mostra que os principais gastos de 2013 foram realmente essenciais: com alimentação (67%) e moradia (49%). Eletrodomésticos e eletrônicos tiveram percentual bem menor, de 12% e 8%. E os sonhos também não são supérfluos: 30% querem adquirir uma casa própria ou reformar seu imóvel e só 12% sonham em viajar. Mas todos, de todas as camadas sociais, são otimistas: 93% acreditam que seu sonho de consumo será, enfim, concretizado.

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