Bebês já nascem com habilidade matemática

Para pesquisadora, outros fatores influenciam esse tipo de domínio

iG Minas Gerais |

ARquivo Angel Valentin/The New York Times
Avanço. Se a capacidade de distinguir quantidade for maior entre bebês, maiores as chances de ser bons na disciplina
Charlotte, EUA . Se, aos 6 meses de idade o bebê é capaz de distinguir 20 pontinhos de dez pontinhos, é provável que ele seja bom em matemática na pré-escola. Essa é a conclusão de um novo estudo que descobriu que parte de nossa proficiência em soma e subtração pode ser algo com que simplesmente nascemos.   “A capacidade em matemática é um conceito muito complexo, e há um monte de fatores que atuam nela”, diz Ariel Starr, estudante de pós-graduação em psicologia e neurociência da Universidade Duke, no Estado norte-americano da Carolina do Norte. Um desses agentes parece ser o sistema de quantidade aproximada, ou a capacidade de discernir intuitivamente entre grupos de objetos de diferentes magnitudes. Nós compartilhamos esse talento com outros animais, como ratos, macacos, pássaros e peixes. Alguns podem combinar o número de sons que ouvem ao de objetos que veem. Para os seres humanos primitivos, essa habilidade ajudava a determinar se os predadores estavam em menor número, por exemplo. Os investigadores suspeitam que esse sentido de quantidade pode destacar a capacidade única dos humanos de usar símbolos para fazer matemática. Embora tanto um macaco quanto um ser humano possa olhar para fotos de 20 e 30 pontinhos e, em seguida, escolher uma foto de 50 pontinhos para representar o valor total, apenas um ser humano pode somar os algarismos arábicos simbólicos para 20 e 30, em conjunto, para obter 50. Experimento. No estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”), Ariel e seus colegas recrutaram 48 crianças de 6 meses. Os pesquisadores mostraram aos bebês imagens de dois conjuntos de pontos, sendo um com dez e outro com 20. Três anos depois, as crianças voltaram ao laboratório e fizeram testes que mediam a capacidade matemática. As crianças que acertaram mais de 50% dos testes tinham um senso intuitivo significativamente maior na infância que as demais. Para Ariel, é provável que essa intuição com números desempenhe um papel nas habilidades matemáticas na vida, mas outros fatores, como experiência, educação e motivação moldam significativamente as conquistas de uma pessoa.

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