Pesquisa da UFMG prevê se vídeo vai ‘bombar’ no YouTube

Estudo avalia padrões de popularidade e tem várias aplicações, como o mercado publicitário

iG Minas Gerais | ANDERSON ROCHA |

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A janela da rede social “apita”. É o link para um vídeo novo que está rolando no YouTube. A imagem amadora mostra dois pequenos norte-americanos brincando: um deles morde o dedo do outro (que sofre) e cai na risada. Pronto. “Charlie bit my finger – again!” “bombou” e tornou-se um dos dez vídeos mais vistos do YouTube, com quase 580 milhões de acessos.   Na rede é assim. Talvez mais potente que transmissão virótica em ambientes fechados, o clique a clique impressiona. Milhões de pessoas acompanham diariamente o surgimento de novas gravações. Alguns vídeos acumulam milhões de views. Outros não chegam a fazer cócegas. Por quê? “É o que buscamos entender. Sabemos que existem padrões de crescimento de popularidade e estamos tentando apreendê-los”, afirma a professora Jussara Almeida, orientadora do trabalho de doutorado do pesquisador Flavio Figueiredo, do Departamento de Ciência da Computação, do ICEx, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Flavio explica que alguns vídeos permitem deduzir uma alta visibilidade, graças ao seu conteúdo, que chama atenção por si só. É o caso de um clipe da Beyoncé ou uma novidade sobre os Beatles. A pesquisa, no entanto, vai além e foca o sucesso de produtos feitos por anônimos. O rapper sul-coreano Psy é um exemplo que ninguém conhecia, até que estourou. “É um típico caso que nos interessa para mensurar como ele alcançou tamanha audiência”, afirma ele. Para criar um modelo capaz de prever a popularidade, a investigação científica reúne dados e análises sobre as variáveis envolvidas no percurso existente entre a criação do vídeo, a postagem e a chegada até os usuários. Cada uma delas tem sua influência avaliada, criando “curvas de visualizações” e padrões de uso . Atualmente, o projeto consegue fazer previsões, com uma margem de erro aceitável, com uma semana. “O nosso objetivo é alcançar o melhor índice do que chamamos de ‘confiança útil’: a previsão mais breve, com o maior índice de confiabilidade possível. É algo que nenhum trabalho na área conseguiu fazer”, explica Figueiredo. Para isso, o estudo incorpora variáveis, como quem postou, onde (canais, blogs etc.), em qual categoria foi inserido, quem retuitou, entre outros. Bolsa. Com a pesquisa já em andamento, no ano passado os cientistas submeteram o estudo às bolsas do Google e foram aceitos. A empresa não fez exigências de contrapartida logo após a finalização do projeto. “Mas, se houver interesse deles no nosso trabalho, ficaríamos felizes com o reconhecimento”, diz Jussara. A pesquisadora explica que o estudo, que deve ser finalizado em 2014, poderá ser usado para diversas finalidades. A principal delas é no mercado publicitário. “As pessoas e empresas têm interesse em saber quais vídeos vão atrair mais a atenção dos usuários”, afirma.

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