Espionagem de embaixada pode ter influenciado decisão da ONU

NSA teria monitorado missão da França nas Nações Unidas em Washington e Nova York

iG Minas Gerais |

Philippe Wojazer
Encontro. O norte-americano John Jerry e o francês Laurent Fabius tiveram reunião ontem em Paris
Paris, França. Além de espionar ligações telefônicas e mensagens de cidadãos da França, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) monitorou a embaixada francesa, informou o jornal “Le Monde” ontem. Documentos vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden mostram que o governo americano vigiou a missão diplomática francesa na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York e em Washington, de acordo com o diário. O jornal cita um memorando de duas páginas datado de 10 de setembro de 2010. O documento, classificado de “top secret”, revela indícios da existência do programa Genie, que prevê a instalação de programas spyware, à distância, para acessar dados de computadores em todo o mundo. A nota menciona também o monitoramento da Embaixada da França em Washington, que aparece sob o código “Wabash”, e a representação francesa na ONU, com a nomenclatura de “Blackfoot”. Influência. Segundo o “Le Monde”, um dos documentos mostra que as informações confidenciais monitoradas de embaixadas estrangeiras, incluindo da França, desempenharam papel importante na votação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, em 9 de junho de 2010, que impunha novas sanções ao Irã pelo não cumprimento de regras sobre seu programa nuclear. A resolução foi fortemente defendida por Washington, que temia a oposição de países emergentes. Rússia e China apoiaram o texto da ONU, enquanto Brasil e Turquia foram contra, argumentando que ofereceriam em conjunto com Teerã uma alternativa às sanções. Líbano, cujo governo inclui membros do grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã, preferiu se abster. As alegações de que a NSA coletou 70,3 milhões de registros telefônicos de franceses em apenas um mês – de dezembro de 2012 a janeiro de 2013 – fizeram com o que o próprio presidente americano, Barack Obama, ligasse ontem para seu homólogo François Holande. A Casa Branca garantiu que os EUA começaram a rever os processos de Inteligência para “equilibrar preocupações legítimas de segurança e preocupações de privacidade”. A nova denúncia desta terça-feira pode gerar ainda mais mal-estar entre os dois países.

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