Tudo junto e misturado

Ator e roteirista Fábio Porchat chega à capital mineira para a pré-estreia do longa “Meu Passado Me Condena”

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

riofilme/divulgação
Fábio Porchat em cena de “Meu Passado Me Condena”
Há apenas dois dias, Fábio Porchat estava no palco do Sesc Palladium, em Belo Horizonte, apresentando seu espetáculo de stand up “Fora do Normal”. Ontem, de volta à cidade, o ator e roteirista carioca recebia a imprensa para divulgar um outro projeto, a comédia romântica “Meu Passado Me Condena”, que estreia na próxima sexta-feira em todo o país. O dia para Fábio Porchat parece ter mais do que 24 horas. Inquieto e de fala rápida, ele é daqueles artistas que conseguem criar para diferentes frentes. Além do teatro e do cinema, ele escreve e atua na TV (em “A Grande Família”, da Globo, e na série de TV “Meu Passado Me Condena”, do Multishow, na qual o filme é baseado) e é um dos criadores do canal Porta dos Fundos, um dos maiores sucessos da internet. Como se isso não bastasse, ele pode ser visto no quadro “Medida Certa”, do “Fantástico”, em que é desafiado, ao lado de Preta Gil, Gaby Amarantos e César Menotti, a perder peso. Mas ele parece saber bem as diferenças entre os vários veículos nos quais atua. “Eu acho que a diferença de TV, internet e cinema são duas coisas: para quem você faz e a estrutura que você tem”, afirma. “No cinema, você tem que contar uma história em uma hora e meia, precisa ter começo meio e fim bem determinados. Na internet é diferente, você tem que pegar o público na hora que o vídeo começa, a cada 30 segundos tem que ser uma sacada. Diferente da televisão, que, infelizmente, você tem um compromisso com o ibope”, completa. E é na internet e no cinema que ele acredita ter mais liberdade. “É onde você pode ter um compromisso artístico melhor, fazendo a coisa mais do jeito que você quer”. Apesar da versatilidade, o tipo de humor que Fábio apresenta, tanto como ator quanto como roteirista, no Porta dos Fundos e no cinema, são muito diferentes. Ele acredita que o cinema, entre todos, é o mais libertador. “No cinema, por exemplo, você pode colocar uma pessoa pelada. Se fizer isso no YouTube, o vídeo com certeza vai ser bloqueado”, opina. Início . A história de Fábio Porchat começou no programa de Jô Soares. Ele fazia parte da plateia e, num ato de coragem, foi ao encontro do apresentador para mostrar alguns textos que havia feito. Jô gostou tanto do que viu que pediu para que ele apresentasse ao vivo a cena baseada na série “Os Normais”. Ele fez toda a plateia dar gargalhadas. Naquele dia, pensou: “É isso que eu quero para minha vida”. Depois disso, ele largou a faculdade de administração que cursava em São Paulo e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fez o curso de Teatro no CAL – Casa de Artes das Laranjeiras. A partir de então, passou tanto a atuar como a escrever. É autor de várias peças e entre seus trabalhos na TV estão “Zorra Total” (redator e ator), “Junto & Misturado” (redator e ator), “Os Caras de Pau” (redator) e “Esquenta” (roteirista e participante). Mas foi com o Porta do Fundos que passou a ser reconhecido pelo grande público. O canal de internet, que disponibiliza dois vídeos de humor por semana, já foi matéria do “The New York Times”. Cinema . No cinema, Porchat já atuou em vários filmes. No mais recente, “Vai Que Dá Certo”, também ajudou no roteiro. Agora, ele está concentrado no lançamento de “Meu Passado Me Condena”, em que ele divide a tela com a atriz Miá Mello, a mesma da série de TV. Na trama, os dois se conhecem e, após um mês do primeiro encontro, casam-se e partem para uma lua de mel em um navio. “Eu sugeri a Miá quando a Júlia Rezende (diretora do filme e também da série) me perguntou se tinha alguém para indicar. Ela é bonita e achei que poderia dar uma bossa”, conta Porchat. Além de bossa, deu samba e muito outros ritmos. Na tela, entre gargalhadas e lágrimas, os dois mostram uma conexão afinada. Para trabalhar bem a comédia romântica, ele faz questão de lembrar que é importante que os dois protagonistas sejam queridos pelo público. “Nesse gênero, você não está sozinho e tem que ter uma dupla que se torne uma coisa só. Não adianta o público só gostar da Miá e não gostar de mim ou vice-versa. Para uma comédia dar certo, o público tem que gostar do casal. E a gente se dá bem dentro e fora, acabamos virando amigos e por isso nossa química funciona mesmo”, relata. Embora muito bem-sucedido na carreira de roteirista, Porchat lamenta que, no Brasil, a profissão não seja reconhecida. “A carreira de roteirista é uma desgraça por aqui. Não temos bons cursos para formar roteiristas. Além disso, as pessoas aqui não leem, até pouco tempo tínhamos um presidente que declarava não gostar de ler. Isso não ajuda à carreira”, desabafa. Para completar, ele faz um questionamento. “Eu duvido que as pessoas saibam que existem 20 pessoas responsáveis para escrever o texto de ‘A Grande Família’”. O seu papel dentro desse falho contexto, ele crê que é desempenhado. “Eu vejo vários moleques nas minhas apresentações que depois se aproximam de mim para falar que também escrevem e me dão texto”. Questionado se não teme que uma dia deixe de ser engraçado, Porchat mostra um medo maior. “Eu tenho medo de um dia não conseguir fazer algo diferente do que já faço, medo de começar a me repetir. Se bem que depois que você perguntou, eu comecei a sentir medo”, brinca. A agenda corrida e de muita ponte área não impede que Porchat planeje mais compromissos. Só no ano que vem, estão previstos cinco longas na agenda dele, entre eles “O Homem entre Abelhas”, texto escrito por ele e pelo companheiro Ian SBF, e o esperado longa “Porta dos Fundos”. Sobre o filme, ele diz: “Eu sempre frustro os jornalistas que me perguntam sobre o filme, pois a gente não sabe nada. Só sei que serão os mesmos atores, mesmo diretor e mesma pegada do canal”. 

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