Condomínio e shopping vão impactar trânsito de Contagem

Contrapartida viária ainda não foi definida; região já recebe 60 mil carros por dia

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda / Luiza Muzzi |

FERNANDA CARVALHO
Shopping. Operários seguem trabalhando em obra que teria sido embargada pela prefeitura
Moradores e trabalhadores do bairro Cidade Industrial, em Contagem, na região metropolitana da capital, vão enfrentar, em breve, mais um complicador do trânsito na região. O local, que já tem tráfego sobrecarregado, se prepara para receber um empreendimento residencial para 600 novas famílias – serão mais 900 carros circulando diariamente. Além disso, especula-se que um shopping popular será construído a alguns metros do condomínio, na avenida Babita Camargos, o que deve gerar ainda mais movimento no entorno, que já conta com um shopping, um hospital e uma faculdade, além de fazer a ligação da cidade com a capital.   Segundo a Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes de Contagem (Transcon), cerca de 60 mil veículos trafegam diariamente apenas no cruzamento das avenidas Babita Camargos e General David Sarnoff. A Direcional Engenharia, responsável pelo empreendimento, ainda não deu início às obras, mas os imóveis já estão sendo vendidos, por valores que ultrapassam R$ 200 mil – o montante exato não foi confirmado pela empresa. Apesar disso, a contrapartida viária ainda não foi definida. A entrada será na avenida Marechal Castelo Branco, com cinco edifícios de 15 andares e oito apartamentos por piso. Quem passa pelo local reclama que os congestionamentos pioraram nos últimos anos, e teme um nó no trânsito. “O movimento que nós já temos aqui deixa o lugar um terror, até no fim de semana. Imagina com mais centenas de famílias morando na região”, reclama o funcionário público Henrique Carvalho, 34. Para especialistas em trânsito, a preocupação é legítima. “Essa área faz a ligação da capital com Contagem e qualquer equipamento, ainda mais dessa dimensão, certamente vai impactar em todo o sistema viário e de transporte público da região”, explica o engenheiro especialista em planejamento de transportes Ronaldo Gouvêa. Já o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas (OAB-MG), Kênio Pereira, argumenta que a construção desse tipo de empreendimento na região é um processo natural. “Em função da limitação territorial de Belo Horizonte, a tendência é que as construtoras passem a investir nas cidades do entorno”, explica o advogado. Contrapartida. Segundo a assessoria da construtora Direcional, o projeto já prevê contrapartidas, como a instalação de um parque aberto ao público, ao lado do condomínio, além da construção de um memorial do trabalhador industrial. Operários seguem em obra que estaria embargada Na avenida Babita Camargos, operários trabalham em uma obra que estaria embargada. À reportagem, no entanto, um funcionário disse que no local está sendo construído um shopping popular. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano negou a informação. “A obra foi embargada porque não poderia começar sem projeto. Se não respeitarem, a obra será embargada também judicialmente”, disse o secretário Sant Clair Schmiett. Compensação . De acordo com Schmiett, a prefeitura reconhece os problemas de trânsito e pretende fazer uma obra para ligar os bairros Cidade Industrial, Ressaca, Nova Contagem e Petrolândia. A verba de R$ 230 milhões, do governo federal e do município, já estão garantidos, conforme o secretário.

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