Ex-prefeito de Pirapora preso por desvio de dinheiro público não quer sair da ca

Defesa de Warmillon Braga alega que sair de Contagem, onde está detido, e ir ao Norte de Minas para prestar depoimento o retira da rotina, prejudicando “sua alimentação, higiene e o direito ao descanso

iG Minas Gerais | aline diniz |

Suspeito de desviar dinheiro público, o ex-prefeito de Pirapora, Warmillon Fonseca Braga (DEM) não quis sair da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para depor em Pirapora. A defesa solicitou à Justiça que Braga fosse dispensado da audiência que aconteceu no dia 16 de outubro e de outras – como a que é realizada nesta quarta-feira (23) – na cidade do Norte de Minas  com a justificativa de que isso prejudicaria sua rotina na prisão. Ele está detido na unidade prisional desde o dia 24 de julho deste ano, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Para escapar do interrogatório, o defensor de Braga, Sânzio Baioneta , escreveu em seu pedido de habeas corpus que o suspeito não pretende fazer uso de seu direito de autodefesa e que a viagem de cerca de 340 km iria tirá-lo da rotina da prisão. O desembargador Flávio Batista Leite considerou a segunda justificativa como “estranha” e fez questão de descrevê-la na íntegra. “A condução de um preso o retira da rotina da prisão, prejudica a sua alimentação, higiene e o direito ao descanso, sobretudo em caso como esse, em que dormir fora do presídio, em trânsito, acarretando ainda mais sofrimento”, alegou o defensor. Leite considerou que a justificativa alegada não existe e negou pedido, demonstrando perplexidade: “Ora, é isso mesmo? O preso não quer sair do presídio? Não quer dormir fora dali?”, escreveu. O desembargador ainda acrescentou que o motivo para Braga não querer sair da penitenciária deve ser outro que não o “apego” à cadeia. Nesta quarta-feira (23), uma nova audiência está sendo realizada no Fórum de Pirapora e, segundo a Polícia Militar (PM), foi montado um esquema de segurança no local, já que a corporação recebeu informações de que haveria uma manifestação em favor do político. A reportagem de O TEMPO Online tentou contato com o advogado Sânzio Baioneta, mas o advogado não foi encontrado para prestar esclarecimentos. Operação  Violência Invisível O ex-prefeito foi detido durante a operação Violência invisível da Polícia federal, que ocorreu no dia 2 de julho deste ano. A quadrilha, formada por empresas, pessoas físicas, servidores públicos e ex-prefeitos, fraudava processos licitatórios, direcionando as contratações a uma das empresas integrantes da organização criminosa. Essa empresa vencia as licitações com o compromisso de fazer a compensação entre precatórios judiciais e as dívidas das prefeituras, sob o argumento de uma economia de até 30% sobre os valores devidos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), prática proibida expressamente pela lei.

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