Indústria farmacêutica ainda depende de teste com animais

Evolução, porém, permite que pesquisas utilizem dez exemplares em vez de cem, como antes

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

JOÃO GODINHO
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Diante da grande polêmica envolvendo cães que eram usados como cobaias para experimentos de um laboratório, uma boa notícia: a tendência é que se use cada vez menos animais para os testes científicos. Os chamados testes “in vitro”, que usam somente células e moléculas, já substituem boa parte das análises que antes eram feitas em camundongos, porquinhos-da-índia, coelhos, cães e primatas.   “Para testes de cosméticos, os animais já não são mais necessários. Já na indústria farmacêutica, os testes de triagem - in vitro - já conseguem diminuir muito a necessidade de cobaias. Em alguns casos, em vez de usar cem animais, os pesquisadores conseguem utilizar somente dez”, revela a pesquisadora da UFMG, Míriam Chaves, que realiza testes in vitro de toxicidade em cosméticos. Contudo, a ciência não consegue abrir mão totalmente do uso de animais. “Estamos caminhando para isso, mas ainda temos um longo caminho pela frente, pois há regulações do organismo que ainda nem compreendemos totalmente, então não conseguimos recriá-las in vitro”, explica o pesquisador Hugo Castro Faria Neto, que é vice diretor de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e inovação do Instituto Oswaldo Cruz. Porém, o pesquisador ressalta que, ao contrário do que paira no imaginário popular, os laboratórios não são “fábricas de horrores”, em que os animais são submetidos a torturas e procedimentos dolorosos. Segundo ele, todo experimento que envolva animais deve passar pelo crivo de uma comissão de ética, que tem como função verificar se a pesquisa está obedecendo rigorosamente à Lei Arouca, que regulamenta as experiências com cobaias. “O que as pessoas desconhecem é que esses animais são criados em condições de extremo cuidado, em ambientes totalmente controlados. Além disso, há um cuidado muito grande e qualquer procedimento é feito dentro de regras muito claras de evitar qualquer tipo de sofrimento, por menor que seja, para o animal. Mesmo quando se vê animais com feridas, ele não está sentindo nada, pois todos os procedimentos cirúrgicos devem ser supervisionados por veterinário para evitar o sofrimento”, garante. Punições . Quem não seguir esses preceitos pode responder pelo crime de maus tratos, previsto na Lei Ambiental. Essa lei determina pena de três meses a um ano de cadeia e multa para “quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”. Além disso, “pesquisas que não obedecem aos preceitos éticos estabelecidos pela lei não podem ser publicadas nas principais e mais renomadas pesquisas científicas”, complementa Vítor Márcio Ribeiro, professor do curso de medicina veterinária da PUC-Minas.

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