Cruzeiro pode ter pena atenuada após prisão de envolvidos em confusões

Polícia Militar e Ministério Público identificaram e prenderam suspeitos; organizadas ainda podem usar a camisa para facilitar visão de outros torcedores

iG Minas Gerais | BRUNO TRINDADE |

O Cruzeiro pode ter atenuada uma possível punição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por conta das confusões ocorridas no clássico contra o Atlético. Na tarde desta terça-feira, a Polícia Militar e o Ministério Público, durante uma coletiva sobre a punição de cinco meses sobre a Máfia Azul e sobre a Pavilhão Independente, proibindo essas duas organizadas de entrarem nos estádios com bandeiras, bandeirões e instrumentos, informaram que dois torcedores responsáveis por atirar bombas e sinalizadores na torcida alvinegra foram identificados e presos, o que pode diminuir a culpa do clube pelo fato de os autores terem sido responsabilizados. Segundo o chefe de Operação de Eventos da Polícia Militar, Coronel Antônio de Carvalho, além da detenção das pessoas que atiraram os artefatos, outros dois torcedores cruzeirenses foram presos dentro do estádio por causarem confusão nas arquibancadas. “Prendemos quatro (torcedores) só dentro do estádio. Prendemos mais dois fora do estádio, inclusive um atleticano. Os demais estão sendo verificados através das imagens, identificando quem foi que iniciou algum desses processos (de violência). Temos, pelo menos, mais cinco pessoas que participaram dessas confusões. Hoje a tecnologia e o monitoramento são ferramentas importantes na identificação desses torcedores”, declarou. O militar falou sobre a dificuldade de se encontrar esses artefatos nas revistas feitas na entrada dos estádios. “As mulheres colocam os explosivos nas partes íntimas e na calcinha. Não tem jeito de pedir a essas torcedoras para tirarem a roupa. Infelizmente, tem muitas pessoas fazendo isso”, constatou o policial. O promotor Edson Antenor Lima Paula esclareceu o fato de as camisas dessas torcidas também não terem sido proibidas. “Optamos por não vetar as camisas porque estamos identificando esses torcedores. Com a camisa fica mais fácil identificar as pessoas que estão no estádio e se eles pertencem a algum agrupamento. Se necessário e se tivermos que aplicar novamente medidas contra essas torcidas, nós podemos, talvez, vetar o uso das camisas”, afirmou. Depois de muitos questionamentos sobre uma possível punição aos clubes sem responsabilizar os torcedores que provocaram os atos de confusão, o promotor esclarece que todos os envolvidos serão punidos, mas cada um na esfera competente. “São esferas diferentes. As confusões que ocorrem no estádio são, em um primeiro momento, de responsabilidade da Justiça Desportiva. A Polícia Militar então identifica esses torcedores e, a partir da confecção do Boletim de Ocorrência, as forças de segurança e o Ministério Público são informados e eles são punidos na esfera cível, como foi aplicada a punição às duas torcidas do Cruzeiro. Paralelamente a isso, corre o processo criminal”, relatou. O Coronel Carvalho ressaltou que o processo sobre a punição embasado no estatuto do torcedor é mais rápido. “A partir do momento em que nós vamos individualizando cada torcedor nessas brigas, nós fazemos o Boletim de Ocorrência, mas isso corre em outra esfera. Não corre na esfera do estatuto do torcedor. Agressão física já é do Código Penal. Não tem nada a ver com o estatuto do torcedor. Agressão, lesão, desacato, já muda o contexto. De acordo com o estatuto, as penalidades estão sendo aplicadas. Os outros processos tem um andamento diferenciado, tem que ter um juiz, tem que ouvir testemunhas de acusação e de defesa. É um pouco mais lento”, concluiu.

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