Fábula para uma vida plena

Livro aposta na própria vida como o melhor de todos os medicamentos

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz |

Inês Rabelo/Divulgação
Reflexão. A médica Acely Hovelacque vai lançar “A Bula da Vida”, manual para se apropriar da vida
A ideia era escrever um livro que tocasse as pessoas que estão mergulhadas e sufocadas na roda viva da atualidade, que reconstruísse o homem fragmentado, oferecendo-lhe acesso à ampliação de consciência e que estimulasse a mudança do olhar e a transformação. Assim nasceu “A Bula da Vida”, definido pela autora, a médica Acely G. Hovelacque, 59, como “a bem-aventurança que provém da vida”. A obra será lançada no dia 29, em Belo Horizonte. Acely tem especialização em clínica médica, homeopatia e antroposofia e atua como professora em cursos de pós-graduação. É autora de quatro livros, praticante budista, sagitariana com ascendente em leão e lua em peixes. Na prática, isso significa uma série de características que foram muito bem-definidas pela filósofa, educadora e escritora Dulce Magalhães, no prefácio do livro: “Acely é uma moleca, dessa que amadurece cedo e não envelhece nunca... coisas de médica, curandeira, xamã e benzedeira”. A ideia do livro, diz Acely, veio durante uma meditação. Ela percebeu que as palavras meditação e medicação tinham apenas uma letra que as diferenciavam, o T e o C. “Fui pesquisá-las e descobri que as duas vinham do radical ‘med’, que significa medida. Entendi que a meditação era trocar a medida da realidade e medicação também. Fui ampliando o conceito de medicação, e não remédio, e percebi que o cirurgião assim como o psicotrópico interferem na medida da realidade do outro, que medicação pode ser psicoterapia, uma palavra certa na hora certa, a imagem certa, como um filme, um concerto, uma peça. Todas essas experiências podem abrir e criar outras realidades e acessar pensamentos e possibilidades sobre as quais nem pensávamos antes”. A médica comenta que as letras T e C podem ser entendidas como transformação de consciência, algo absolutamente curativo. “Percebi que o T é também a primeira letra do nome do monge zen Tokuda San, meu mestre, que, ao ensinar a arte de meditar, medicava as visões estreitas que adoecem as realidades, e o C era de Célio de Castro (fui aluna e residente dele) que, ao ensinar a arte de medicar, despertava a consciência que nos qualifica como humanos”. Criação. No processo de criação do livro, várias coisas passaram pela cabeça da médica que, apesar de meditar há mais de 30 anos, não é monja nem teóloga. “Um dia sonhei que o aparelho de pressão do meu consultório conversava com os outros objetos e a primeira frase de que me lembro está no capítulo ‘Dr, tira minha pressão’”. É claro que ninguém tira a pressão de ninguém. “Essa forma incorreta de se expressar revela o desejo da pessoa de sair do consultório médico com a pressão da vida mais baixa, que o médico abra as possibilidades da sua vida. Se ele tiver uma palavra, o rodapé da receita talvez mostre para o paciente como lidar com aquilo. Nós, médicos e pacientes, estamos usando remédios demais e tirando a pressão da vida de menos, entregamos demais, querendo alívio, soluções imediatas, que não se sustentam”, ensina Acely. A partir desse entendimento, a médica percebeu que os objetos do seu consultório podiam atuar como porta-vozes e, dessa forma, nasceu a fábula. “Todos eles têm voz e dialogam. Na fábula, há um médico que deseja passar o legado do que aprendeu para as outras gerações, somar as diferenças e multiplicar as afinidades das várias escolas médicas. Ele quer que o ser humano saia do sofrimento”, infere a médica. “A Bula da Vida” é um livro diferente porque não propõe remédios, mas incita a saborear a vida como um grande medicamento. “Essa fábula convoca as diversas abordagens em saúde a somar as diferenças e a multiplicar a lucidez e a compaixão. Celebra o olhar convergente entre a medicação e a meditação, oferecido pelo conceito de saúde plena e de medicina integrativa. De forma lúdica, interage o leitor com as próprias realidades multidimensionais. Como um espelho amplia sua visão e lhe pergunta como está utilizando o melhor medicamento disponível”, propõe a homeopata. AGENDA: Lançamento do livro “A Bula da Vida”, dia 29 de outubro, às 19h30, pelo projeto Sempre um Papo, no centro de convenções do Hospital Mater Dei, na rua Mato Grosso, 1100, bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte. Informações: (31) 3261-1501.

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