Ney Matogrosso

iG Minas Gerais |

Você disse na apresentação para o público que "Olho Nu" reflete algumas linhas do seu pensamento. E ao logo do filme fica evidente seu caráter de artista subversivo, que alega que sempre será não importa o governo num determinado depoimento. Você ainda se considera assim? Eu acho que eu sou antes de tudo inquieto. Eu não me satisfaço com o que consegui. Isso talvez me transforme numa pessoa subservisa porque as pessoas, no geral, se acomodam. Eu não consigo, mas não faço força. Eu sou dessa maneira. O Joel comentou que trabalhar com você foi um exercício prazeroso e de liberdade, que você é uma personalidade contra a censura prévia, certo? Essa história até já acabou. O Chico disse que se enganou, e eu acho isso uma grandeza da parte dele admitir que se enganhou, que cometeu um equívoco (em relação a crítica que o artista fez na última semana ao biógrafo Paulo César de Araújo). Para mim isso (a posição dos artistas envolvidos no Procure Saber) não desmerece em nada nenhum deles e suas obras, principalmente o Chico Buarque, que está sendo o mais atacado. Você, como poucos, sabe utilizar a ousadia de maneira elegante. Esse é o segredo? Ah, sim. Eu sempre fiquei no limite, eu nunca ultrapassei o limite da vulgaridade, da baixaria porque isso não me interessa. Eu sou arrojado, mas eu posso caminhar no fio da navalha, eu nunca pulo para o lado de lá. Eu tenho consciência de até onde eu posso ir. Você é um homem que mesmo à frente do seu tempo, é muito ligado a natureza. Talvez seja dos aspectos mais interessantes de "Olho Nu" apontar para esse caminho. Com certeza. Eu acho que isso que é grande o estímulo da minha vida, que é esse contato. Realmente, eu necessito desse contato, ele é vital.

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