Desde junho, 83 jornalistas foram agredidos em protestos

Em quase 80% dos casos, agressões tiveram policiais como autores, revela levantamento

iG Minas Gerais |

SÉRGIO MASSON
undefined
São Paulo. Pelo menos 83 jornalistas brasileiros foram agredidos desde junho, quando teve início a onda de protestos no país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Quase 80% dos casos, ou 65 agressões, foram resultado da ação de policiais militares. Para organizações de direitos humanos e entidades de classe, apesar de as manifestações terem elevado os números deste ano, a violência contra profissionais de comunicação tem crescido nos últimos anos. O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, cita alguns fatores que explicam essa curva ascendente de violência contra jornalistas, entre eles a impunidade. “(As agressões) ocorrem principalmente na cobertura de política, há um senso comum de que é permitido fazer. É na imprensa que se dá o confronto direto entre os interesses privados, que sejam ilegais, com o interesse público, e isso produz reações”, declarou em seminário internacional sobre violência contra jornalistas e o cerceamento do direito da sociedade à informação. Um dos casos mais recentes ocorreu nas manifestações do Dia do Professor, 15 de outubro, com o repórter fotográfico Yan Boechat. Segundo o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Boechat foi espancado por um grupo de policiais militares que tentava impedir que ele registrasse imagens da agressão a um manifestante. As entidades sindicais defendem a adoção de políticas públicas para combater esse aumento das agressões, como a formação de um observatório nacional que monitore as denúncias. “É uma questão que tem nos preocupado. Desde o ano passado, um grupo de trabalho da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com organizações da sociedade civil, discute medidas como a federalização desses crimes”, disse Bruno Renato Teixeira, ouvidor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Ele informou que a criação do observatório deve ser anunciada ainda este ano. Schröder propõe a adoção de um protocolo pelas empresas de comunicação que garanta aos profissionais, entre outras questões, seguro de vida, equipamentos, autonomia do repórter para a escolha da pauta e a criação de uma comissão que avalie os enfoques dados às reportagens. “Boa parte das empresas não dá aos seus jornalistas ferramentas para a proteção”, disse. Manifestação em SP volta a ter confronto  SÃO PAULO. A capital paulista viveu mais um dia de protestos ontem. Pela manhã, manifestantes interditaram a Estrada do M'Boi Mirim, Sul da cidade, em um protesto que começou às 4h50. Cerca de 300 manifestantes, segundo a Polícia Militar, reivindicavam o retorno de mais de dez linhas de ônibus coletivos que servem a região e foram suspensas pela São Paulo Transporte. Outra protesto ocorreu na reintegração de posse de terrenos pertencentes à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no Jardim Pantanal, zona Leste. Trato derrubaram 500 construções irregulares, distribuídas em dez áreas que somam 21 mil metros quadrados. Um grupo de moradores resistiu à ordem judicial, e a Polícia usou balas de borracha para dispersar os manifestantes. À tarde, um veículo foi incendiado e obstruiu o Viduto Jacuí. Na quinta-feira, 17, outro protesto terminou em confronto com a PM, que usou bombas de efeito moral.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave