Alunos da UFMG cobram saída de dois professores

Um dos docentes teria se insinuado para uma estudante dentro da sala de aula

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

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Alunos estenderam faixas e cartazes nas paredes da universidade
Comentários supostamente machistas e homofóbicos feitos em sala de aula e na internet por dois professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revoltaram dezenas de alunos da instituição, que iniciaram ontem uma campanha para afastar os docentes da universidade. Segundo o Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFMG, os educadores teriam constrangido e humilhado vários alunos com comentários como: “desafio alguém a mostrar aqui depoimento de algum pai aceitando seu filho gay”. A opinião acima foi postada no dia 6, em uma rede social, pelo professor Antonio Zumpano, que leciona há mais de dez anos na UFMG. Porém, o estopim para a insatisfação dos alunos aconteceu no último dia 10, durante uma aula do professor Francisco Coelho a alunos do segundo período de ciências sociais. Segundo os estudantes, uma aluna de 20 anos se sentiu ofendida com um comentário de Coelho. “Ele usa os alunos para exemplificar a matéria. E nesse dia disse que a nossa colega era atraente e que se não houvesse uma relação de professor e aluno, ele gostaria de ficar na horizontal com ela”, contou a secretária do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (Cacs), Fernanda Maia Caldeira. Outros alunos relatam que a postura do professor, que leciona na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), é recorrente. “Ele sempre agiu assim. Ouvi uma vez ele dizer para uma aluna ficar calada porque ela não passava de uma costela. Eu nem consegui terminar a matéria dele, não ia à aula desse jeito”, disse o estudante de ciências sociais Tiago Lopes, 21. Homofobia. Falta de vontade para ir à aula também é a sensação de alguns alunos do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da UFMG. Após várias postagens homofóbicas do professor Antônio Zumpano, publicadas no Facebook e em um blog pessoal dele, cerca de 50 alunos do curso de gestão pública realizaram um protesto pela saída do docente, que é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ex-membro da Comissão Permanente de Vestibular (Copeve) da instituição. Para os estudantes, apesar do professor exprimir sua opinião apenas pela internet – e não em sala de aula – o Código de Ética da UFMG foi violado. “Ele disse uma vez, quando uma aluna foi violentada aqui por um homem, que o machismo é uma virtude e que a estudante estava no lugar errado na hora – sendo que ela tinha acabado de sair da aula. O nosso Código de Ética não permite violar a dignidade humana, e é isso que esse professor está fazendo”, disse a estudante Giselle Maia, diretora do Centro Acadêmico de Gestão Pública (CAGP) da UFMG. A reportagem tentou entrar em contato com os dois professores ontem, mas nenhum deles foi localizado na universidade ou por meio de um telefone para comentar o caso. Protesto Ação. Alunos de ciências sociais e de outros cursos da UFMG vão organizar novos protestos contra os professores nesta semana. A intenção é pressionar a reitoria para demitir os docentes.

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