EUA espionaram também os registros telefônicos da França

“Le Monde” publicou a informação, que foi cedida por Snowden ao jornalista Glenn Greenwald

iG Minas Gerais |

Charles Dharapak
Vigilância. O presidente norte-americano, Barack Obama, disse estar “reavaliando” a coleta de dados
Paris, França. O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, vai cobrar explicações do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sobre as denúncias do jornal “Le Monde”, que revela o amplo esquema de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) americana tendo como alvo cidadãos franceses. As alegações de que a agência coletou milhões de registros telefônicos de franceses poderiam transformar-se em uma crise diplomática, no momento em que Kerry chega a Paris para o início de uma viagem pela Europa para discutir o conflito sírio. A publicação no jornal trazia a informação de que a NSA coletou 70,3 milhões de registros telefônicos na França, incluindo gravações de conversas e mensagens de textos entre os primeiros dias de dezembro de 2012 e o começo de janeiro de 2013. A denúncia foi feita com base em supostos documentos fornecidos pelo ex-agente norte-americano Edward Snowden, que atualmente está exilado temporariamente na Rússia. “Este tipo de prática contra aliados é um ataque à privacidade, e é totalmente inaceitável”, disse Fabius em um encontro da União Europeia, em Luxemburgo. A NSA respondeu ainda nesta segunda-feira (21) aos protestos feitos pela França sobre as novas denúncias de espionagem. A porta-voz da agência, Caitlin Hayden, declarou que os Estados Unidos já deixaram “claro que recolhem informações de inteligência no exterior do mesmo modo que todos os países recolhem”. Tentando contornar a situação, Barack Obama disse a François Hollande, em ligação, que os EUA estão reavaliando suas atividades de coleta de informações para garantir que haja um equilíbrio entre segurança e privacidade, segundo nota divulgada pela Casa Branca. México. O governo do México também condenou uma suposta espionagem do governo dos Estados Unidos ao seu país e exigiu uma explicação depois que a revista alemã “Der Spiegel” informou, neste domingo (20), que o serviço de inteligência americano investigou o e-mail do ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012). “O governo do México reitera a categórica condenação à violação da privacidade das comunicações das instituições e dos cidadãos mexicanos”, afirmou um comunicado do ministério das Relações Exteriores. Os vigiados Alvos. Segundo o jornal “Le Monde”, os EUA vigiavam comunicações de pessoas ligadas ao terrorismo e figuras proeminentes da política, negócios e administração do governo francês.

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