Audiência irá apurar agressão e tortura a procurador da União em Sete Lagoas

O caso foi denunciado à Comissão de Direitos Humanos e deputados pediram o afastamento de policiais envolvidos

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Um caso de agressão por parte de policiais militares e civis mobilizam a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a ouvidoria do Estado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Diferente da maioria das denúncias deste tipo, a vítima não é um criminoso nem mesmo um suspeito, é o procurador da União José Aluísio de Oliveira. "É um caso horroroso. Ele foi detido sob a alegação de uma batida de carro, e depois passou por uma sessão de horror. Foi algemado pelos militares e agredido com socos, pontapés e pancadas", disse o deputado Rogério Correia (PT-MG), membro da CDH. De acordo com o deputado Célio Moreira (PSDB-MG), o procurador foi abordado no dia 12 deste mês, em Sete Lagoas, na região Central do Estado, e após a surra dada pelos militares, foi levado à delegacia. "Lá ele não teve o atendimento que deveria e, pelo contrário, foi torturado", contou. Ainda segundo os deputados, Oliveira se identificou como procurador da União, e foi chamado de "procurador de merda", "porco", "mentiroso", entre outras ofensas. Além disso, ele não foi ouvido na delegacia. "E quando a mulher e advogada dele chegou, o delegado mandou ela voltar pra escola", conta Moreira. "Isso foi um enorme equívoco, não pode acontecer. As polícias militares e civis não agem assim, com certeza foi um caso isolado, mas deve ser apurado. Isso remete à ditadura militar. Nem se fosse um bandido os policiais poderiam ter feito o que fizeram com ele", lamentou Moreira. Segundo o parlamentar, os policiais ainda pegaram a mão do procurador, que estava inchada por causa das pancadas e das algemas, e o fizeram assinar um boletim onde ele confirma que os policiais o encontraram alcoolizado, drogado e machucado", denuncia. Ainda de acordo com o deputado, os exames que constataram as agressões já foram feitos e o caso foi levado as corregedorias das policiais civil e militar. Uma audiência pública com todos os órgãos e policiais envolvidos já está marcada na Assembleia para apurar o caso. Será no dia 4 de novembro, às 14h. Segundo Correia, já foi feito um pedido para o afastamento imediato dos policiais civis e militares que teriam agredido o procurador ou compactuado com a tortura.  

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